O município de Juazeiro, no Norte da Bahia, tem registrado nas últimas semanas um aumento no número de caso de pessoas com sintomas gripais. A informação foi confirmada ao PNB pela Secretaria de Saúde.
Preocupados com o surto da Influenza A H3N2 no Estado e crescimento no número de mortes causadas em decorrência do vírus, moradores de Juazeiro, em contato com a nossa redação, reclamam da falta de testagem para a doença.
“Estou há dias com sintomas gripais, fadiga, febre e dores no corpo, principalmente na coluna. Na minha família, mais de dez pessoas tiveram os mesmo sintomas. Além disso, muito vizinhos também estão da mesma forma. Procurei a UBS do meu bairro e a médica só passou um antibiótico. Não fizeram o teste para saber se era a Influenza. Em Juazeiro só está tendo teste de Covid? Se não estão testando, como terão o controle da doença?”, questionou uma moradora do bairro Dom Tomaz.
Outra moradora do bairro Itaberaba reclamou da falta de informações por parte da Secretaria de Saúde.
“Meu esposo está de cama há uns três dias por conta de uma gripe forte. Procurei informações nas redes sociais da prefeitura para saber sobre os sintomas da Influenza e as orientações sobre qual unidade procurar, mas não encontrei nada. Só vi na mídia eles informando que ainda não há casos confirmados. Mas acredito que em Juazeiro, muitas pessoas estão sim com o vírus e isso é preocupante, pois as pessoas estão sem saber o que fazer”, alertou.
Para um morador do bairro Quidé, a falta de notificações de casos em Juazeiro, pode afetar no envio de doses de vacinas para o município.
“A gestão só diz que Juazeiro não tem casos confirmados e isso me parece óbvio, já que não estão testando. Estive procurando a UBS do meu bairro em busca da vacina da gripe, pois essa é a orientação da Secretaria de Saúde do Estado. Mas só dizem que não há estoque e que estão aguardando novas doses do Ministério da Saúde. Acredito que se tivessem notificações e casos confirmados, esse envio seria feito de uma forma mais rápida”, opinou.
O PNB procurou a Sesau em busca das informações. Sobre a testagem, o órgão informou que por “orientação do estado, os testes para influenza são realizados em casos de SRAG hospitalizados quando o RT-PCR dá negativo para Covid”.
A Sesau informou ainda que “quem estiver com sintomas gripais deve buscar a UBS, Hospital de Campanha ou ponto de testagem que fica no Centro de Cultura João Gilberto”.
Sobre a vacinação, a Sesau reforçou que “a vacina contra a gripe é enviada aos municípios para a realização de campanha e não como imunizante de rotina. Porém, diante do alerta em outras regiões do país, Juazeiro já fez a solicitação de remessa da referida vacina ao estado e aguarda o recebimento das doses. Não há estoque da vacina contra a gripe”
Influenza A H3N2
Até essa terça-feira, a Bahia registrava 673 casos de Síndrome Gripal (SG) com laudo positivo para Influenza A H3N2 e oito mortes ocasionadas pela doença. De acordo com o boletim divulgado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVEP), 114 casos evoluíram para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e necessitaram de hospitalização.
Foram registrados 8 óbitos ocasionados pela Síndrome Respiratória Aguda Grave por Influenza A H3N2, o que representa uma taxa de letalidade de 7,1% entre os casos de SRAG hospitalizados. Dos óbitos, 7 ocorreram em Salvador e 1 em Laje.
A maior letalidade foi observada na faixa etária igual ou maior a 80 anos, com registro de 06 óbitos. Os outros dois foram nas faixas de 60 a 69 anos (01 óbito) e 70 a 79 anos (01 óbito). Apenas 01 óbito não apresenta informações acerca da presença de comorbidades.
Monitoramento
O monitoramento da circulação de vírus respiratórios é realizado através da notificação dos casos de SRAG no sistema de informação SIVEP-GRIPE. “E também através de amostragem realizada por unidades sentinelas da Síndrome Gripal (SG). Para efeito de notificação, devem ser considerados os casos de SRAG hospitalizados ou os óbitos por SRAG independentemente de hospitalização”, explica o boletim.
Devido à instabilidade no sistema de informação do Ministério da Saúde, o acesso aos dados de notificação de casos tem sido inconsistente e descontínuo, fazendo com que as informações permaneçam sujeitas a revisão.
Redação PNB












