Há cinco dias de completar 6 anos do assassinato brutal da menina Beatriz Mota, durante uma festa promovida pelo tradicional Colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina (PE), Lucinha Mota, mãe da criança, reuniu forças para mais um ato de protesto à impunidade, e busca por justiça.
Na madrugada deste domingo (5) Lucinha Mota deu largada a uma caminhada rumo a capital pernambucana, Recife. A parada será no Palácio das Princesas, onde a mãe de Beatriz, mais uma vez, vai reivindicar que o Governo de Pernambuco aceite a cooperação do grupo de peritos americanos nas investigações do caso e também a federalização do crime.
Ao PNB, Lucinha Mota disse o quanto se preparou física e emocionalmente para esta via crucis de cerca de 23 dias e 700 quilômetros percorridos, a passos firmes.
“Ao longo destes quase 6 anos de impunidade e dor, o tempo foi me preparando emocionalmente para enfrentar esta luta por justiça. Estou ainda mais firme, forte e resiliente. A dor, a saudade e a tristeza profunda pela morte trágica e covarde da minha filha, me acompanham, mas eu não me rendo e o tempo amadureceu minha sede por justiça. Fisicamente também me preparei, com treinos diários, para chegar ao meu destino, o Palácio das Princesas, onde vou dizer ao Governo de Pernambuco, o quão omissa, cruel e incapaz, ele tem sido diante deste crime que chocou o estado de Pernambuco, o Vale do São Francisco e o país. A falta de respostas a este assassinato brutal, é uma afronta à Justiça”, disse Lucinha.
E Lucinha Mota não está só nesta caminhada. No primeiro trecho, ela foi acompanhada por um grupo de amigos, familiares, integrantes do Movimento Somos Todos Beatriz, e de parlamentares, como os deputados Estadual Zó (BA), e o Deputado Thulio Gadelha (PE), que saíram do Posto Faizão, ponto de largada, junto com a mãe de Beatriz Mota. Uma equipe está acompanhando Lucinha Mota, para garantir todo suporte alimentar e de segurança no trajeto.
“Quando eu anunciei que iria a pé para Recife, recebi o apoio de muita gente que, como eu, não se conforma com esta impunidade. São pessoas que têm sede de justiça, pessoas do bem. Desde que minha filha foi arrancada de mim, naquele infeliz 10 de dezembro, que tenho conhecido o pior e o melhor do ser humano. O amor e o ódio que existem nas pessoas. Estas pessoas que têm fortalecido à luta por Justiça para o caso Beatriz me dão exemplos de amor, empatia e compaixão. A todos e todas sou muito grata”, disse Lucinha.
Luta
O movimento “Somos Todos Beatriz” não descansou um só dia e numa mobilização jamais vista na região percorreu todos os caminhos em busca da verdade: Quem matou Beatriz?
Ao longo destes 6 anos, os pais da menina apelaram para a então Presidenta Dilma Roussef, quando ela veio a Juazeiro; Eles foram à Brasília e apelaram para o Ministro da Justiça do Governo Temer. Através de carta, chegaram ao Papa Francisco; Ao Recife foram mais algumas vezes para protestar e apelar para as autoridades máximas do estado de Pernambuco; Do alto do portão da Ponte Presidente Dutra, Lucinha Mota gritou por Justiça. Ela já se acorrentou, fez greve de fome e correntes de oração. Junto com os participantes do movimento, ocupou a ponte, as ruas, foi ao plenário dos legislativos municipais das duas cidades, a audiência pública na OAB. Uma rotina exaustiva, desde que o crime bárbaro aconteceu em 10 de dezembro de 2015.
Até agora, nenhuma resposta, nada de concreto. Somente evidências, falácias, retratos falados (sim, já foi mais de um), numa demonstração bizarra de incompetência institucional. Delegados foram trocados, foi feita uma “força-tarefa” fantasma (sim, fantasma, porque até agora nenhuma força mostrou na solução da tarefa de solucionar o caso).
Poderíamos pensar que todas as possibilidades foram esgotadas e que os pais, familiares e o movimento “Somos Todos Beatriz” se cansariam da luta inglória por justiça. Mas não! Este caso não cairá no esquecimento, e Lucinha Mota se reinventa a cada manifestação.
Esta chaga na sociedade do vale do São Francisco está aberta, sangrando, supurando.
“Esta página não será virada, enquanto as autoridades remuneradas para a função de garantir justiça apresentem uma resposta e desvendem este crime misterioso que aconteceu numa instituição da tradicional família pernambucana. Jamais irão me calar. Não pensem, os senhores da lei, que eu não vou aceitar tamanha impunidade. Enquanto vida eu tiver, será para buscar respostas. Quem matou minha filha? A quem interessa este silêncio, esta inoperância da polícia e da justiça de Pernambuco”, questionou, a incansável Lucinha.
Redação PNB