Rede Furada: reclamações sobre a falta de vagas em hospitais da Rede Peba só aumentam; há 8 dias, paciente com leucemia espera por transferência e familiares suplicam por ajuda

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“Suplico ajuda deste veículo e também dos órgãos competentes”, este é o pedido de socorro Rosineide Gomes de Sousa, prima de um paciente que está internado na UPA, Unidade de Pronto Atendimento, em Juazeiro, a espera de uma transferência para o Hospital Regional.

Clésio Ferreira da Silva, 40 anos, aplicador de herbicidas, morador do Projeto Mandacaru I, zona rural de Juazeiro, Norte da Bahia, deu entrada na UPA, na manhã de quinta-feira (13), após apresentar um problema de saúde.

“Na UPA, os médicos suspeitaram de vários diagnósticos, e por último foi informado a família, que seria leucemia, e que o paciente precisava ser transferido para um hospital com hematologista, ou seja, para o Hospital Regional, que faz parte da rede e tem o profissional. Até o momento, mais de uma semana, ele não foi transferido”, contou a prima de Clésio.

De acordo com ela, o quadro de saúde do paciente está se agravando e a família já procurou a Defensoria Pública.

“A família já procurou a Defensoria Pública, mas até agora sem sucesso, e Clésio, um rapaz cheio de vida, encontra se a cada dia mais debilitado”, disse Rosineide.

Estamos encaminhando a demanda de Clésio Ferreira para a Central de Regulação Interestadual de Leitos, da rede PEBA.

Rede Furada

As reclamações sobre a falta de vagas em hospitais da Rede Peba (Pernambuco/Bahia) só aumentam, e o sistema já dá provas de não comportar a demanda. Mesmo assim, não se tem notícia de nada de concreto que esteja sendo feito para resolver o grave problema. A resposta é sempre a mesma: não há vagas.

Nesta quinta-feira (20) o PNB mostrou a situação do idoso Jonas Alfredo de Santana, 77 anos, que aguarda há 15 dias por uma vaga no Hospital Regional de Juazeiro, no Norte da Bahia. No último dia 5, ele deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento do município, com uma fratura no ombro, mas os exames e o tratamento médico não são realizados na unidade.

“Meu pai foi levado para a UPA após crise convulsiva. Ele foi diagnosticado com AVC pelo médico plantonista, e no dia seguinte percebeu-se uma fratura no ombro, devido à queda no momento da convulsão. Até a presente data ele ainda se encontra na UPA, sem realizar os exames e procedimentos necessários, pois o mesmo espera uma regulação para outro hospital”, relatou a filha do paciente, Jéssica Luanne de Santana.

Ela declarou ainda que a família já acionou o Ministério Público e que os direitos dos idosos não estão sendo cumpridos.

“Meu pai está há 15 dias a espera de uma vaga, com uma fratura, sem realizar tomografia para averiguar a situação do AVC, e sem os cuidados necessários a um idoso de 77 anos. Estamos aflitos com essa situação. Já acionamos também o Ministério Público, e foi informado que não há vagas. Eu liguei para a vara pública, fui informada que o juiz determinou hoje que fosse realizada a transferência. Os direitos dos idosos e também de cidadão, não estão sendo cumpridos”, finalizou.

A responsabilidade pelas regulações dos pacientes da região é da Central de Regulação Interestadual de Leitos, através da rede PEBA.

Em resposta ao PNB, sobre o caso do idoso, a CRIL informou ainda que “em relação ao atendimento clínico, onde a referência principal é o Hospital Regional de Juazeiro, ainda não autorizado devido a superlotação da unidade”.

O HRJ confirmou a superlotação do hospital à nossa equipe.

O PNB também entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Juazeiro, e o órgão informou que a UPA já havia solicitado à Central de Regulação Interestadual de Leitos (Cril) a transferência para o Hospital Regional, que é referência neste caso, mas a regulação foi negada por três vezes, com a justificativa de falta de vagas”.

Outros casos

De acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia, “o tempo médio de espera na regulação é de até 72 horas, podendo se estender por falta de recursos ou de médicos especialistas”.

Porém, de acordo com diversas reclamações já recebidas pelo PNB, essa espera pode durar meses. Só entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, contamos as histórias de quatro pacientes que sofreram com a espera da regulação.

No dia 22 de novembro, Erineide da Mota, relatou o drama que sua família estava passando para conseguir uma regulação para a paciente Lucilia Conceição da Mota, 60 anos, moradora do João Paulo II, em Juazeiro, que na ocasião estava internada no Hospital Regional, há 49 dias.

A idosa é cega e sofre de diabetes. Ela foi internada na unidade hospitalar no dia 5 de outubro com complicações da doença. Após fazer um desbridamento, procedimento realizado para remover tecidos necrosados, ela teve um dedo do pé amputado e corria o risco de perder outro membro, caso não fosse transferida, contou a filha de Dona Lucila.

Redação PNB

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