Caso Beatriz: requerimento que pede abertura da CPI na Alepe, precisa apenas de mais uma assinatura

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O requerimento que está recolhendo assinaturas dos parlamentares da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para para investigar o caso Beatriz, precisa apenas da adesão de mais um deputado. Até o momento, dos 49 parlamentares, apenas 16 já assinaram o documento.

De acordo com um dos autores do pedido de abertura da CPI, o deputado Romero Albuquerque (PP), os três parlamentares que assinaram o requerimento está semana são governistas e teriam seus nomes preservados para evitar que os mesmos sofram pressão do Governo do Estado.

O site (casobeatriz.com.br) para que a população acompanhe e solicite o apoio dos deputados não está sendo mais atualizado. A solicitação das assinaturas segue sendo feita pelo grupo que deu início à movimentação, aos outros colegas.

“Obviamente o objetivo é conseguir o mínimo necessário das assinaturas, mas o apoio dos demais colegas, principalmente daqueles que lutam em defesa da vida, como é o caso da bancada evangélica, é imprescindível”, afirmou o deputado Romero Albuquerque.

O mandato coletivo Juntas, do PSOL, liderado por Jô Cavalcanti, declarou que o tema ainda está sendo discutido internamente e será debatido conjuntamente com o PSOL.

“As Juntas acompanham o caso desde 2019 e apoiam a federalização da investigação de modo a assegurar uma apuração técnica, profissional e isenta, assim como vem atuando na Comissão de Direitos Humanos dentro de suas prerrogativas institucionais. Sobre a recente proposta de instalação de CPI, a mandata esclarece que o tema ainda está sendo discutido internamente e será debatido conjuntamente com o PSOL, sempre objetivando a preservação da imparcialidade da investigação”, diz o grupo em nota

Contrário a criação da Comissão, o líder do governo Paulo Câmara na Alepe, o deputado estadual Isaltino Nascimento (PSB), pediu no último dia 20 que a bancada de situação na casa não assinasse o requerimento.

“O governo já fez o que era para ser feito, a pessoa responsável já foi presa, e a Justiça vai acompanhar. A sugestão então é não assinar e pode alegar que só assina se o líder do governo assinar”, afirmou na ocasião.

Entre os deputados que ainda não assinaram ao requerimento está a delegada Gleide Ângelo, que em 2016 assumiu as investigações do assassinato da menina, criando muitas expectativas, e deixou o caso em 2017, sem muitas contribuições.

Para os pais de Beatriz, Lucinha Mota e Sandro Romilton, “os deputados que não assinarem essa CPI são cúmplices da impunidade, são cúmplices de crimes em Pernambuco”.

“Eu e Sandro (Romilton) somos a favor da CPI e vamos lutar para que a CPI aconteça. Queremos saber quem escondeu o assassino de Beatriz todos esses anos, e por que esconderam. Porque o assassino de Beatriz já estava preso, cumprindo pena, e o DNA na faca do assassino, que poderia ter sido confrontado em 2018, 2019, por que não colocaram no banco (de dados)?”, indagou Lucinha.

Caso Beatriz

A menina Beatriz Angélica, que na época do crime tinha apenas 7 anos, foi assassinada com golpes de faca na noite do dia 10 de dezembro de 2015, no Colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco.

Desde aquela época, diversos delegados assumiram as investigações do crime, sem apresentarem respostas. Por isso, os pais da menina, realizaram em dezembro uma caminhada de Petrolina à Recife para solicitar o apoio do Governo do Estado para a federalização das investigações.

Após seis anos do crime, na última terça-feira (11), a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco divulgou uma nota informando que havia prendido o autor do assassinato da menina Beatriz. O órgão fez uma coletiva de imprensa expondo as provas técnicas do caso, que “foi solucionado com base em exames de DNA da arma do crime”. De acordo com a SDS, Marcelo da Silva confessou o crime.

“Por determinação do governador Paulo Câmara, a Força Tarefa – criada em 2019 para investigar o caso foi mantida mobilizada até a elucidação deste crime. A equipe revisitou todo o inquérito e realizou novas diligências. A identificação do suspeito se deu por meio de análises do banco de perfis genéticos do Instituto de Genética Forense Eduardo Campos, realizadas no dia de hoje, que identificou o DNA recolhido na faca utilizada no crime. Em confrontação de perfis genéticos do banco, chegou-se ao DNA do suspeito, que se encontra preso por outros delitos em uma unidade prisional do Estado. Ao ser ouvido pelos delegados da Força Tarefa, confessou o assassinato e foi indiciado”.

No último dia 13, o acusado foi levado para o Presídio de Igarassu. O suspeito foi colocado numa “cela disciplina”, que está sob a vigilância de dois agentes do Grupo de Operações e Segurança, subordinado à Seres.

Na última terça-feira (18), advogado Rafael Nunes, que assumiu a defesa de Marcelo da Silva, apresentou durante entrevista ao Programa Cidade Alerta de Pernambuco, uma carta, supostamente escrita pelo acusado de ter matado a menina Beatriz Mota, onde o mesmo volta atrás e nega a autoria do crime.

O advogado disse que: “Curiosamente, quando a mãe da menina faz a caminhada, cai de paraquedas um DNA”, disse o advogado. “Não iremos descansar. O Ministério Público não está acreditando nesta versão, não ofereceu denúncia, se tivesse indícios o MP tinha oferecido denúncia”, afirmou o advogado de Marcelo.

Em um trecho da carta mostrada no programa, o acusado diz que quer conversar com a mãe da criança, e que confessou por pressão.

Lucinha Mota declarou que continua acompanhando as investigações e mantém sua opinião de que acredita que Marcelo da Silva seja o assassino de sua filha. Lucinha disse ainda que a revelação da carta e o posicionamento do advogado causaram estranheza, mas “já eram esperados”.

“Muitas pessoas querem ganhar holofotes com o caso Beatriz, de grande comoção pública. Portanto, toda informação deve ser vista com ponderação e muita cautela. Estamos entrando em contato com a OAB/PE para saber referências deste profissional”, disse Lucinha.

 

Redação PNB 

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