Os familiares do estudante Diogo Lira Ferreira, 16 anos, estão no Fórum de Juazeiro para acompanhar o julgamento dos acusados Eduardo Jorge Meireles, dono da ‘Caiaques do Vale’ e também do funcionário da empresa, Ramos Neto Costa, que está marcado para esta quinta-feira (10). Os dois serão submetidos ao Júri Popular depois três anos e cinco meses da morte por afogamento do estudante Diogo, ocorrida no feriado de 7 de setembro de 2018, nas águas do Rio São Francisco, na Orla II de Juazeiro.
O Promotor de Justiça Raimundo Moinhos denunciou os dois acusados, por homicídio qualificado, por motivo torpe. Ele considerou que há indícios que Eduardo Jorge Meireles e Ramos Neto Costa assumiram o risco contra a vida de Diogo. Após a morte do garoto, a empresa continuou funcionando normalmente.
O caso
No dia 7 de setembro de 2018, Diogo saiu de casa para passear de caiaque no Rio São Francisco, com amigos, e não voltou mais para casa. Aos 16 anos, o jovem morreu afogado, nas proximidades da Orla II, de Juazeiro.
Diogo e mais dois amigos alugaram um caiaque e decidiram atravessar o rio em direção à Ilha do Fogo. Na volta, ainda no meio do rio, segundo contaram testemunhas, a embarcação chegou a virar duas vezes, o que teria chamado atenção do dono da empresa locadora, que teria mandado um funcionário em outra embarcação para alcançar os jovens e tomar o caiaque e também o colete salva-vidas, de acordo com testemunhas.
Segundo um amigo de Diogo, que estava no momento do afogamento, o funcionário estava irritado com o excesso de passageiros e pelo tempo limite já excedido, e obrigou que ele e Diogo entregassem os coletes e descessem dos caiaques. O amigo conseguiu se salvar nadando até a margem do rio. Diogo, que não tinha costume de nadar,, gritou por socorro, mas não teve a mesma sorte e morreu há metros da beira do rio.
Um dia trágico para Simone Lira, mãe do garoto, e para os irmãos e amigos de Diogo, que revoltados com as circunstâncias do afogamento, realizaram alguns protestos pedindo justiça.
Nos dois anos de morte do filho, Simone concedeu uma entrevista ao PNB e desabafou: “Meu filho não morreu afogado, ele foi morto pela irresponsabilidade e malvadeza de quem tomou o colete que salvaria sua vida, de quem o deixou a deriva no meio do rio, sem querer saber se ele sabia nadar ou não. Tomaram o caiaque e o colete. Foi um crime, um crime bárbaro”, desabafou a mãe.
Traumatizada, Simone Lira contou que os dias de 7 de setembro são de muita dor, tristeza e também de revolta.
“Eu perdi meu filho, minha vida acabou naquele sete de setembro. Me dizem que com o tempo eu vou esquecer essa tragédia, mas é como se fosse ontem. Adoeci e me sinto sem forças. Mas a vida de quem fez uma perversidade dessa continuou como se nada tivesse acontecido. Ele era um menino maduro para a pouca idade, muito responsável, mas também alegre e brincalhão. Era quem resolvia as coisas de casa para mim e todo dinheiro que ganhava fazendo bicos trazia pra casa para ajudar nas despesas. Ele era tudo pra mim, se preocupava comigo. Meu filho era obediente, calmo, querido pelos vizinhos e sonhava em se formar, trabalhar e ser alguém na vida”, lembrou a mãe.
Redação PNB


