Agentes do Conjunto Penal de Juazeiro voltam a denunciar desvalorização e precariedade nas condições de trabalho

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Sem reajuste salarial e denunciando precariedade nas condições de trabalho, os Agentes do Conjunto Penal de Juazeiro (CPJ), no Norte da Bahia, procuraram nossa redação para relatar a situação que estão enfrentando em alguns setores da unidade prisional. De acordo com os funcionários, a empresa Reviver, responsável pela contratação dos agentes e administração do CPJ, não concedeu nenhum tipo de aumento salarial para os funcionários, pois afirma “que os mesmos não tem contato com os internos”.

“Mais um ano se passou e a empresa Reviver não deu reajuste salarial e nem deu satisfação sobre o assunto para os agentes do presídio. Há mais de 7 anos estamos com os mesmos salários, sendo que tudo aumentou, a gasolina está de R$ 8,20. Só o salário que a Reviver paga aos agentes que não aumenta. Estamos sem condições de trabalhar!”, reclama um dos funcionários, que prefere não se identificar com “medo de perseguições”.

Os Agentes reafirmam que têm contato direto com internos, inclusive no momento da revista e nas dependências da unidade prisional. Eles também informam que, caso se recusem, são punidos e obrigados a assinar CI- Comunicado Interno. “Esse documento vai para nossa pasta e muitas vezes recebemos a suspensão do dia de trabalho, que acarreta em desconto no pagamento”, explicou outro Agente.

Eles ainda reclamam das condições de trabalho na cozinha e contam que um colega de trabalho teve 70% do corpo queimado no local.

“Não têm condições nenhuma de manter a higiene e nenhuma segurança para os funcionários na cozinha do Conjunto Penal. É um calor fora do normal! Pergunto: para quê as visitas do Ministério do Trabalho? Para quê essa tal de auditoria interna e externa? Será só pra dar benefícios a alguns? Um colega sofreu um acidente e teve mais de 70% do corpo queimado, o que fez a empresa por ele? Depois disso, será que vão instalar exautores? Será que sabem o que é e para quê servem?”, questionou o funcionário.

Revoltados com a situação insalubre na cozinha da unidade, eles ainda relatam que foram proibidos de recolher os restos de comidas, para alimentar animais de rua, uma ação social que muitos faziam. No entanto, as sobras estão sendo utilizadas por um particular que comercializa carne de porco, informam os agentes, pedindo uma fiscalização da Vigilância Sanitária.

“Alguns colegas recolhiam os restos de comida para alimentar animais de rua e isso foi proibido pela empresa Reviver. Mas, um senhor ligado a gerência, recolhe os restos para alimentar porcos, cuja carne é para venda na cidade. Essas sobras de comidas vêm do refeitório e dos internos. Hoje, dentro do presídio existe todo tipo de doença contagiosa e transmissível. Está correto esses animais serem alimentados com esse tipo de comida? Isso é caso para a Vigilância Sanitária que também não vem aqui, denunciou.

Outra queixa dos Agentes é o esgoto, que é lançado a céu aberto e causa mau cheiro na recepção do Conjunto Penal, além da proliferação de insetos, moscas e muriçocas.

“O esgoto do presídio é lançado a céu aberto causando muitas doenças em funcionários e internos, atraindo moscas e muriçocas em grande quantidade, sem falar no mau cheiro que fica na recepção. Tem dias que é insuportável ficar e trabalhar no local. Além disso, os colchões, fardamentos e pertence dos internos, que após ficarem em liberdade ou ser realizada a troca no período exigido, é queimado também a céu aberto, prejudicando a nossa saúde, porque quando isso ocorre não tem condições de trabalhar com a fumaça e temos que ficar na base local mesmo sem aguentar o mau cheiro e a irritação na garganta. Atualmente, mais de 15% dos funcionários apresentam algum tipo de doença”, revelou um dos Agentes.

Eles ainda contam que não há teste de Covid-19 para os funcionários. “A empresa não testa os colaboradores para Covid-19. Até hoje só foi realizado um único teste, e isso obriga os funcionários a fazerem exames e teste pagos”, finalizou.

Veja as imagens enviadas a nossa redação:

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O PNB está encaminhando a reclamação para a empresa a direção do CPJ, empresa Reviver e Vigilância Sanitária.

Redação PNB

 

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