Se recuperando de uma cirurgia feita recentemente e sentindo dores intensas, a paciente Luzia Lopes da Silva, que enfrenta um câncer em estado avançado, precisou do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do município de Juazeiro, no Norte da Bahia na noite dessa segunda-feira (04), e só foi atendida após três horas de espera.
De acordo com um amigo da paciente, o comunitário João Gomes da Silva, foram muitas as ligações pedindo socorro para a mulher.
“Eu comecei a ligar para o SAMU às 18h porque ela está com a barriga cheia de pontos devido a uma cirurgia que fez, e sentido muita dor. Muitos outros vizinhos e amigos, também sensibilizados com a situação, também começaram a ligar e pedir o socorro. Após uma hora do meu primeiro chamado, liguei novamente e disseram que alguém tinha ligado cancelando a solicitação do socorro. Como é que iríamos ligar cancelando, se estavamos solicitando o atendimento para uma paciente que estava precisando urgentemente do SAMU?”, declarou João Gomes.
Ainda de acordo com ele, durante a longa espera pelo atendimento móvel de urgência, outras justificativas para a demora foram dadas pela equipe, a exemplo da falta de macas.
“Às 20h eu liguei novamente para o SAMU e eles disseram que teve um acidente e eles tiveram que mandar uma ambulância para o local. Depois disseram que estavam sem maca. Como é que não tem equipamento para socorrer uma paciente oncológica? Um absurdo!”, acrescentou.
João Gomes relatou ainda que após muita insistência e uma longa espera, uma ambulância do SAMU foi enviada para socorrer a paciente.
“Moramos no bairro Pedra do Lorde, que não fica tão distante da sede do SAMU, e mesmo assim a equipe só chegou às 21h18. Foram mais de três horas de espera, sendo que o serviço é de urgência. Fiquei imaginando as pessoas que moram em localidades mais distantes e as que precisam de um socorro mais rápido para sobreviver. A gestão municipal precisa melhorar o serviço, que é tão essencial para a população, que sofre com tanto descaso”, finalizou.
O PNB está encaminhando a reclamação para a Secretaria de Saúde. Em resposta, o órgão informou que “todas as ligações do SAMU passam pela triagem da regulação médica, onde são classificadas de acordo com a gravidade e potencial de riscos, tendo prioridade as solicitações de maior potencial de gravidade. Neste caso, o SAMU não negou atendimento ao paciente. O mesmo foi triado e encaminhado à ambulância obedecendo o critério de Classificação da Regulação Médica”.
Outras reclamações
As reclamações sobre a falta de ambulâncias e demora na assistência prestada pelo SAMU têm sido constantes. Em janeiro deste ano, familiares de Edson Gomes Ribeiro, 44 anos, que foi a óbito após uma parada cardíaca, atribuíram a morte dele à falta de assistência do SAMU.
“Meu nome é Gislana, moro em Juazeiro Bahia e gostaria de relatar o que eu e minha família passamos nesse final de semana, para que não venha a se repetir com outras famílias. Sábado às 17h35, meu irmão começou a passar mal no terminal de ônibus de Juazeiro. Eu liguei para o SAMU para solicitar uma ambulância e a médica me disse que não atendia a esse tipo de ocorrência. Só mandava a ambulância se fosse vítima de acidente, ou pessoas com ferimentos de faca, tiros, essas situações. Tive que chamar um UBER e levá-lo a UPA. Ele chegou lá com insuficiência respiratória e morreu horas depois, após sofrer uma parada cardíaca”, declarou a irmã da vítima na época.
Também em janeiro, A leitora Jusileide Ferreira, sogra de um jovem acamado, morador do bairro Alto do Alencar, em Juazeiro, também entrou em contato com o PNB, para reclamar do atendimento do SAMU no município.
De acordo com ela, Clementino José dos Santos, 23 anos, sentindo fortes dores de cabeça e febre alta, precisou de uma ambulância, e ao ligar para o serviço informaram que não havia ambulância disponível.
“Estou aqui novamente pra falar da minha revolta. Meu genro é acamado, pesa 160 kg, e desde às 15 horas que ligo pra o SAMU e o médico fala que não tem ambulância. Meu esposo foi lá e tinham 4 ambulância. Voltei a ligar e simplesmente ele bateu o telefone na minha cara”, denunciou na ocasião.
Além disso, os usuários também reclamam do o sucateamento de alguns veículos do SAMU. “Vejam as péssimas condições das ambulâncias. Estão sucateadas, sem manutenção. Por isso o serviço vem sendo tão criticado pela população. Quebram constantemente, ficam paradas na garagem, enquanto os usuários ficam sem o serviço que salva vidas”, disse o usuário, que pediu para não ser identificado.
A denúncia chegou também ao vereador Dr. Salvador Carvalho (PCdoB). Em março deste ano, o parlamentar denunciou, em pronunciamento na Câmara de Vereadores de Juazeiro, a situação de precariedade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) no município.
Da tribuna o vereador, que é médico, fez um panorama da situação de descaso a que vem sendo submetido o SAMU, nesta regional Norte, que é coordenada por Juazeiro e atende a diversos municípios da região: “A regionalização impôs a Juazeiro coordenar o serviço do SAMU nesta região norte, mas infelizmente, por incompetência do governo municipal, há meses temos apenas duas ambulâncias funcionando e precariamente, quando portaria do Ministério da Saúde determina que a cada 50 mil habitantes deve ter uma ambulância à disposição da população”, denunciou.
De acordo com o Dr. Salvador, funcionários do SAMU, que tem medo de se expor, relatam que “as ambulâncias disponíveis estão em péssimo estado, o serviço completamente sucateado e muitos funcionários são obrigados a exercer diversas funções, o que é proibido por lei”.
Dr. Salvador cobrou uma posição da Secretaria de Saúde e da gestora Suzana Ramos, já que existem recursos para garantir a efetividade e a qualidade dos serviços, essenciais para a população: “O sucateamento do SAMU é visível e não dá mais para aceitar que a gestão culpe governos anteriores ou alegue falta de tempo, porque essa gestão já está governando a mais de um ano e deveria saber que esse serviço salva vidas e não pode esperar”, cobrou.
O vereador reforçou ainda a “necessidade obrigatória de disponibilizar ambulâncias SAMU semi UTI, uma para atender às demandas de Juazeiro e outra para atendimento de cidades da região, conforme determina a portaria em vigor”, finalizou.
Redação PNB