“Recebi uma ligação do Dr. Carlos me oferecendo serviços advocatícios”: mais uma consumidora, que acionou o Procon de Juazeiro, acusa coordenador de indicar advogado particular

"Recebi uma ligação do Dr. Carlos me oferecendo serviços advocatícios": mais uma consumidora, que acionou o Procon de Juazeiro, acusa coordenador de indicar advogado particular

 

Na última quarta-feira (11), o Portal Preto no Branco publicou uma reclamação do motorista de aplicativo Sérgio Murilo, morador de Juazeiro, sobre o atendimento realizado pelo Procon, quando o profissional também acusou o coordenador do órgão, Carlos Emanuel Tavares de Macedo, de indicar um advogado particular para resolver a questão judicialmente.

A gestão municipal, em nota, informou que a denúncia era “inverídica”, e afirmou que as informações repassadas por Sérgio Murilo ao blog não condiziam com a verdade, ressaltando ainda que “a demanda que ele encaminhou à reportagem deste veículo contra a Coelba refere-se a junho de 2021, período este em que o Procon era coordenado por outro gestor. Contestando o cidadão, a coordenação do Procon  salientou que “EM NENHUM MOMENTO FAZ CAPTAÇÃO DE CLIENTES PARA ADVOGADOS OU ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA E REPUDIA TAL INFORMAÇÃO INVERÍDICA”.

Depois da veiculação da matéria, outra consumidora procurou nossa redação para relatar que passou pela mesma situação do motorista, quando acionou o Procon, em Juazeiro, após se sentir lesada com a aquisição de um bem.

Temendo represálias, ela pediu para não ser identificada, e relatou a sua experiência ao procurar o órgão.

“O ano passado eu adquirir um bem, e me sentindo lesada com aquisição desse bem, decidi procurar os serviços do Procon. Chegando lá, eu dei entrada no processo, ainda na época que o coordenador era o Dr. Ricardo Penalva. Só que  minha audiência só veio acontecer agora em 2022, já com o novo coordenador, Dr. Carlos. Na hora da audiência eles não me deram nenhum retorno, só disseram que entrariam em contato comigo depois para dizer o que foi definido. Quando eu saí de de lá do Procon, eu recebi uma ligação do Dr. Carlos me oferecendo serviços advocatícios para que entrasse na justiça comum contra a empresa do bem que eu adquirir”, contou a consumidora.

Ela nos enviou o registro da chamada que teria sido feita pelo coordenador Carlos Emanuel Tavares de Macedo, oferecendo serviços advocatícios.

Confira:

 

Ela continuou seu relato, afirmando que dispensou a indicação, e expressando sua decepção com o atendimento do órgão.

“Só que eu disse ao mesmo que eu não iria precisar dos serviços dele, pelo fato de ter um advogado na família. Até hoje eu nunca tive um retorno do Procon sobre meu processo. Já entrei em contato com eles, mas eles não sabem me informar nada. Eu estou indignada com tudo isso que vem acontecendo. Me sinto lesada tanto pela empresa do bem que eu adquirir, e agora pelo Procon, porque eu procurei o Procon achando que teria o meu problema resolvido, acreditando nisso e até hoje nada aconteceu”, disse a cidadã.

A mulher denuncia ainda que, um advogado da gestão municipal, lotado na Procuradoria, participou da audiência realizada no Procon, representando a empresa privada, ou seja, a empresa acusada de ter lesado a consumidora.

“Na audiência, quem estava representando a empresa era o Dr. Itamar, que é um servidor público, e estava lá representando a empresa privada”, finalizou.

Outra denúncia

Após a manifestação do Procon, de que as informações repassadas pelo motorista Sérgio Murilo eram ‘inverídicas”,  nós voltamos a ouvir o profissional, que reafirmou a denúncia e manifestou sua indignação por ter sido acusado de faltar com a verdade. O motorista deu detalhes sobre a reclamação feita no Procon.

“Sobre essa resposta que o PROCON deu ao Portal Preto no Branco, dizendo que eu estou mentindo, eu não estou mentindo, estou falando a verdade. Tenho 42 anos morando em Juazeiro e não preciso estar com mentira, com falcatrua. Não preciso disso não. O que acontece é o seguinte: Em julho de 2021, um abençoado da Coelba errou a leitura aqui em casa. Eu estava viajando e quando cheguei, cinco dias depois, tirei a foto do medidor e fui olhar na conta de energia. Não tinha nada a ver uma leitura com a outra. Procurei a Coelba, liguei para o 0800 e fui no atendimento presencial. Eles disseram que iriam me ressarcir nas próximas faturas, mas até agora nada. Meses depois, sem resposta da Coelba, me sentindo lesado, fui no PROCON abrir o processo e no dia da audiência quem me atendeu foi Doutor Carlos. “.

Sérgio Murilo reafirmou que foi o coordenador do órgão que participou da audiência e lhe indicou um advogado particular.

“A audiência foi presidida por Dr Carlos. Logo depois que o advogado da Coelba e o outro preposto saíram da sala, ele [Dr Carlos] me perguntou se eu tinha algum advogado de confiança, e eu disse a ele que não. Eu não tenho advogado, pois não tenho condições de pagar. E simplesmente ele me deu o número do amigo dele e disse para eu entrar em contato com esse amigo, que ele iria resolver, que só daria certo se eu movesse uma ação contra a Coelba, procurando outro advogado. Eu liguei para o amigo dele advogado, e ele me perguntou se eu estava disposto a pagar os honorários para correr atrás de uma coisa tão pequena, como erro de leitura. Eu peguei e disse a ele que não, que ia deixar para lá. No dia em que eu procurei o Procon o era Doutor Carlos, não era mais Ricardo Penalva, como o Procon disse.  Ou seja, o Procon não resolveu nada até agora”.

Nós estamos, novamente, encaminhando as denúncias a assessoria do órgão.

Lembrando que, tratam-se de denúncias graves, e que devem ser apuradas pela gestão municipal. Não é da competência de nenhum funcionário do Procon, órgão público, indicar serviços advocatícios particulares para os cidadãos e cidadãs que acionam seus diretos do consumidor.

Redação PNB

 

 

 

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