“A situação está preocupante”: morador diz que comunidade do Junco/Salitre, em Juazeiro, está sem abastecimento da operação Carro Pipa há mais de três meses

"A situação está preocupante": morador diz que comunidade do Junco/Salitre, em Juazeiro, está sem abastecimento da operação Carro Pipa há mais de três meses

Moradores de comunidades da zona rural de Juazeiro, no Norte da Bahia, continuam sofrendo com a falta de acesso a água potável por conta da interrupção do abastecimento feito pelos carros pipa do Exército. Desta vez, o PNB foi procurado por Henrique Silva, que reside na Fazenda Panelas, no Junco/Salitre.

De acordo com ele, mais de 30 família da comunidade estão há mais de três meses sem receber água.

“Já chegamos na situação de pegar o dinheiro que seria para comprar alimentos, e compramos água para não ficarmos com sede. A situação está preocupante, pois somos da área do alto Salitre, região onde o rio já não tem água todos os períodos do ano. Além disso, hoje a carrada do carro pipa já passa de 300 reais”, declarou Henrique.

Ele pede ainda providências do poder público.

“A comunidade pede previdência e quer respostas sobre o porquê estamos passando por essa situação. A água para consumo humano é um direito para todos. Pedimos que esse problema seja resolvido para que possamos sair dessa situação delicada e preocupante”, acrescentou.

O PNB encaminhou a reclamação para Defesa Civil do Município, responsável pela distribuição dos carros pipa.

Caso semelhante 

No último dia 14, um morador da comunidade de Angico, Lagoa do Boi, zona rural de Juazeiro, em contato com o Portal Preto No Branco reivindicou o acesso a água, que segundo ele, também está faltando na comunidade. Ainda de acordo com o morador, as famílias de Angico vinham sendo abastecidas pelos carros pipa do Exército, mas o fornecimento foi interrompido.

Sem água, os moradores estão passando por muitas dificuldades e tendo que comprar o produto.

“A água na nossa comunidade vem de cisternas e os pipas do Exército não estão botando água, não sabemos o motivo. A gente está precisando de água, pois estamos comprando e aqui um pipa sai por 250, 270 reais. Aqui ninguém tem condição de comprar 2,3 carradas de água por mês não. Precisamos que o poder público ajude a gente. Algum problema está existindo, ou a prefeitura não fez o repasse para os pipeiros ou o Exército não está fazendo sua obrigação”, ressaltou.

Ele disse ainda que muitos moradores não têm recursos para comprar a água e a situação está afetando o orçamento das famílias, que já passam por dificuldades financeiras.

“Tem idoso tirando da aposentadoria, e deixando de comprar o remédio pra comprar água. Outras pessoas, tiram da feira e assim, tirando do próprio bolso, está muito difícil para nós moradores. Água é um direito, ou não é?”, questionou o morador.

O morador questionou o SAAE sobre o abastecimento de água na comunidade que é a única na região da Lagoa do Boi, atendida por cisternas, segundo ele.

“As outras localidades ao redor do Angico, todas tem água do SAAE. Só nossa comunidade é que vive de cisternas, e logo aqui que a prefeita teve muitos votos. A gente precisa é do abastecimento de água pelo SAAE, seja com uma adutora, mas que este problema seja resolvido definitivamente”, reivindicou.

Na ocasião, procurada pelo PNB, a Defesa Civil do Município disse que grande parte dos pipeiros que prestavam serviço ao município de Juazeiro “abandonaram” a operação, devido a alta no preço no óleo diesel. Com isso, dos 21 prestadores do serviço, apenas 13 continuam atuando, o que causou o desabastecimento na zona rural.

“Infelizmente a alta dos combustíveis, trouxe uma série de prejuízo para os nosso distritos, no que se refere ao abastecimento de água através dos pipas. O diesel quase que dobrou de preço e o reajuste nos contratos foi irrisório, levando os pipeiros a abandonarem a operação. Dos 21 pipeiros que tínhamos na operação pipa, restaram apenas 13, trazendo um desabastecimento imenso para a população. O município conta com 5 pipas que já entrega água nas regiões que não eram atendidas pela operação do governo federal e o nosso efetivo não foi aumentado, pois o custo é elevado para a administração municipal, tanto que em todo o país o governo tem esse programa para não asfixiar as prefeituras”, informou o coordenador Ramiro Cordeiro.

 

Redação PNB foto ilustrativa 

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