“Mulher tem é que lavar roupa”: uma motorista de aplicativo, em Petrolina, é vítima de ataques machistas e ameaças enquanto trabalhava

"Mulher tem é que lavar roupa": uma motorista de aplicativo, em Petrolina, é vítima de ataques machistas e ameaças enquanto trabalhava

A motorista de aplicativo Carmen Brito, de 47 anos, foi vítima de ataques machistas enquanto trabalhava na madrugada de sexta-feira (16), em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Ao Portal Preto no Branco, ela relatou que foi vítima de agressões verbais  por dois passageiros.

“Por volta da meia noite eu busquei dois homens que estavam em uma casa noturna aqui de Petrolina. A corrida tinha como destino o bairro Jardim Maravilha. A princípio era um pessoal que tinha saído para se divertir e na volta tinha solicitado um carro por aplicativo. Porém, todo o transtorno já se iniciou quando solicitei que os mesmos usassem o cinto de segurança. Eles não queriam usar o acessório e eu disse que não iniciaria a corrida até que eles botassem o cinto. Logo que saímos do nosso ponto de partida, percebi que outros dois homens, amigos dos passageiros, estavam em motos vindo logo atrás. Durante a corrida, os passageiros começaram a botar o corpo para fora das janelas, para ficarem falando com os que estavam de moto, em uma algazarra. Pedi para eles não fazerem isso, pois eu poderia ser multada ou poderia até acontecer um acidente com eles e eu seria responsabilizada. Mas eles não pararam. Eu fechava as janelas e eles abriram. Eles estavam alcoolizados, batendo no banco, fazendo ‘alteração’, e eu falei que iria encerrar a corrida na orla de Petrolina. Foi quando começaram as expressões machistas. Eles diziam que eu não era mulher para fazer eles saírem do carro, que mulher não tem que ser motorista de aplicativo. Eles gritavam e diziam também que estavam me pagando e que eu tinha que me sujeitar. Logo os outros dois homens, que estavam de moto encontraram no carro. Me senti coagida”, contou Carmen.

A profissional contou ainda que pediu ajuda a um colega que também atua como motorista de aplicativo, e só assim, conseguiu sair do local.

“Eu estava nervosa, mas não podia demonstrar que estava com medo. Encontrei o contato de um colega, que também trabalha como motorista de aplicativo, e pedi ajuda. Os passageiros me perguntaram com quem eu estava falando e eu menti dizendo que era meu marido, e que ele estava indo com a polícia. Foi a única coisa que eu achei que podia intimida-los. Só assim eles saíram. Se eu tivesse mostrado que estava com medo, algo pior poderia ter acontecido”, acrescentou.

Porém, de acordo com Carmen, os acusados conseguiram ligar para ela através do aplicativo 99.

“No aplicativo tem a opção do passageiro entrar em contato com os motoristas, caso tenha esquecido algo no carro. Eles usaram o telefone do canal de atendimento para me ameaçar. Eu já estava em casa e neste momento me senti ameaçada. Eu imaginava que havia sido só uma confusão devido o calor do momento, mas quando me ligaram, fiquei realmente muito assustada. Eles me ameaçaram, falaram que eu não conhecia eles, e nem a família deles. Disseram que mulher tem é que lavar roupa e não ser motorista de aplicativo”, declarou.

Carmen finalizou que a situação sofrida por ela, serve como um alerta para outras mulheres que trabalham como motoristas de aplicativo.

“Infelizmente não podemos escolher os horários que trabalhamos. Muitos motoristas têm o aplicativo como renda principal. Eu geralmente trabalho até às 00h, ou 01h da madrugada. Aquela era a minha última corrida. Estou há 1 ano e meio nesta profissão e essa foi a primeira vez que algo deste tipo aconteceu comigo. A partir de agora, se eu achar que o passageiro bebeu, ele vai me causar transtornos. Eu fiz a denúncia no aplicativo da 99 e a empresa me orientou a também a prestar uma queixa na Delegacia da Mulher. Eles estão aguardando o B.O, que estou fazendo nesta segunda-feira (19)”, finalizou.

Redação PNB

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