Exclusivo: “Foram vítimas de um crime bárbaro e cruel”, afirma irmã do trabalhador rural vítima de envenenamento, em empresa agrícola de Juazeiro

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Em contato com o Portal Preto no Branco nesta terça-feira (10), familiares do trabalhador rural Igor Jonatas dos Santos Silva, de 26 anos, que foi a óbito na última sexta-feira (06) após apresentar sintomas de envenenamento, falaram sobre o caso. De acordo com a irmã da vítima, Quézia López, no dia do ocorrido, o jovem e o outro trabalhador rural, Marcos Vinícius Barbosa dos Santos, de 45 anos, compartilharam suas marmitas.

“Meu irmão e o Marcos Vinicius tinham costume de compartilhar marmitas. Ou seja, tanto meu irmão comia da marmita dele, como ele também comia da marmita do meu irmão. Por tanto, ainda não foi comprovado que o veneno estava na comida do meu irmão”, esclareceu.

Ainda de acordo com ela, a marmita e o copo de suco de Igor desapareceram na empresa e apenas a marmita de Marcos Vinicius foi entregue a polícia para ser analisada.

“Meu irmão foi o primeiro a passar mal. Quando ele foi socorrido, botaram os pertences dele na ambulância e disseram que a marmita estava dentro da bolsa dele. Quando ele chegou na UPA, acionaram a polícia e foram enviadas duas viaturas. Os policiais pediram para abrirem a bolsa e pagarem a marmita para eles levarem. Só que a marmita não foi encontrada na bolsa do meu irmão. Os representantes da empresa que estavam acompanhando meu irmão, ainda ligaram para lá pedindo para procurarem, mas não encontraram. Quem teria interesse em pegar esse material e sumir? Alguém pode ter dado fim a prova do crime. As digitais de alguém que pegou a marmita poderia estar lá”, acrescentou.

Quézia reforçou ainda que Igor já havia pago a apostar feita com outro trabalhador rural, inicialmente apontado como suspeito.

“Houve sim um desentendimento entre o meu irmão e um outro colega de trabalho por conta de uma aposta. Mas queremos esclarecer que a dívida foi paga. O próprio funcionário falou em depoimento ao delegado que não existia essa dívida. A gente não tem dúvida da honestidade do meu irmão”, destacou.

Ela finalizou afirmando que as famílias das vítimas vão lutar em busca por justiça para o caso.

“Quem fez isso acabou com sonhos, com duas famílias. Estamos unidos em busca por justiça. Eles foram vítimas de um crime bárbaro e cruel. Meu irmão era um jovem, de apenas 26 anos, que tinha muitos planos. Um menino honesto, trabalhador. Morreu trabalhando. Como é que uma pessoa levanta às 4h da manhã para ir ao trabalho e volta em um caixão? Sei que nada vai trazer meu irmão de volta, mas queremos justiça e respostas. Queremos que o culpado pague pelo que fez. Essa pessoa não pode ficar solta, podendo fazer outras vítimas,” concluiu Kézia.

Investigações

Igor morreu ainda na sexta-feira, após apresentar sintomas de envenenamento e ser encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento de Juazeiro. Marcos Vinicius também apresentou os mesmos sintomas, foi socorrido para a UPA, chegou a ficar intubado, mas foi a óbito no sábado (07).

A Polícia Civil do município de Juazeiro, no Norte da Bahia, descartou o envolvimento de um colega de trabalho nas mortes dos dois trabalhadores rurais. Ao PNB, o Delegado Flávio Martins informou que o trabalhador rural, inicialmente apontado como suspeito, foi ouvido no último sábado (07). “Ele não trabalha no mesmo setor das vítimas, não vai no mesmo ônibus, e não almoça no mesmo local. Ou seja, não teve contato com as vítimas no dia e nem com a comida que eles levaram. Hoje um gerente da empresa confirmou as informações de que trabalham em setores distintos, e almoçam separados, cada um em seu setor”, explicou o delegado.

O delegado informou ainda que a Polícia investiga se o envenenamento das vítimas ocorreu de forma culposa, quando não há intenção de matar, ou de forma intencional, além da autoria.

Ainda de acordo com as informações, as vítimas levaram as comidas de casa. Uma das marmitas compartilhadas pelos trabalhadores foi levada para Salvador, onde será periciada.

O sangue das vítimas também está sendo analisado. A expectativa é que os resultados das perícias saiam em até 30 dias.

Redação PNB

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