No último sábado (6), o PNB publicou reportagem sobre um incêndio que ocorreu na escultura da Mãe d’água, instalada no Rio São Francisco, do lado de Petrolina (PE). O fato aconteceu na noite de sexta-feira (05) e gerou especulações sobre quem teria ateado fogo na obra de arte do artista plástico juazeirense Lêdo Ivo.
O Corpo de Bombeiros de Juazeiro chegou a suspeitar que a escultura teria sido alvo de uma ação criminosa, já que não apresentava carga de combustão.
Pois bem, o enigma foi revelado nesta quarta-feira (10). O próprio criador da Mãe d’Água e de outras obras instaladas em Juazeiro e Petrolina, numa forma de protesto, resolveu incendiar a escultura.
Ao PNB, Ledo Ivo disse que ateou fogo de forma intencional e como protesto, o que ele chamou de “happening”, “uma intervenção na obra de arte que visa chamar atenção para um propósito outro, um manifesto, protesto, até mesmo um pedido de socorro.”
O artista ressaltou ainda que a obra não foi feita com recursos públicos.
“Embora esteja incorporada à paisagem, ao contrário do que muitos falam, ainda não é patrimônio público, pois foi construída com recursos próprios e sem qualquer desembolso do poder público. Eu, que sou autor da obra e do happening, instrumento de expressão de arte contemporânea, penso que a Sereia tem o poder pegar fogo dentro d’água e mesmo assim, não se queimar, metáfora que alude aos seus poderes mágicos e sobrenaturais,” metaforizou Ledo Ivo.
Ele explicou ainda o motivo do ato e disse que pretendia “reivindicar seus direitos contratuais sobre a construção do monumento Portal Osvaldo Coelho, constituído da escultura em bronze do renomado político com um diploma na mão numa referência à sua luta pela Univasf, além de uma praça de 600 m2, arco em inox de 6 m de altura, entre outros.”

As obras foram contratados no último ano da gestão do ex-prefeito de Petrolina, Julio Lóssio, em 2016, mas o valor total do acerto não foi pago, contou o escultor.
A situação foi judicializada em 2018, e há cerca de um ano e meio, em sentença, o juiz do caso entendeu que o pagamento integral só deverá ser feito com a entrega total da obra. O processo se encontra paralisado, embora tenha sido apresentado recurso, segundo Lêdo Ivo e seu advogado.
“Tudo foi feito, porém não houve a entrega completa por falta de pagamento. Na época, há 8 anos, o débito era de 280.000,00. A primeira parcela de 30% foi paga, ficando pendente outra parcela de 30% e a última de 40%. Prejuízo para Petrolina também que pagou a primeira parcela. Por conta dessa inadimplência, a obra completa não pôde ser entregue, embora totalmente acabada, pois não pude honrar meus compromissos com fornecedores, a exemplo da indústria paulista, que aplicou o bronze sobre a robusta escultura, que se encontra em Piracicaba, interior de São Paulo. O que incomoda é que os recursos foram empenhados pelo município de Petrolina, mas não repassados ao escultor, ferindo cláusulas contratuais. Com base no contrato eu, como artista contratado, receberia a segunda parcela e instalaria todo o conjunto, só recebendo a última parcela com tudo instalado. Foi tirada nota fiscal e acabei contraindo um débito com a receita federal, tendo empregado todas as minhas economias, o que levou minha empresa à falência,” explicou o artista.
Redação PNB



