Cães errantes que circulam pelas ruas de Juazeiro, centro e bairros, estão assustando os moradores, que relatam ataques dos animais.
Tem sido frequente os relatos que chegam ao PNB de pessoas que foram mordidas enquanto passavam pelas ruas ou circulando de moto.
Segundo informações obtidas pelo PNB, nesta segunda-feira (20) 3 usuários procuraram a UBS do Novo Encontro em busca da vacina antirrábica, após serem mordidas por cães de rua. Um dos casos ocorreu no bairro Santo Antônio quando uma passageira de motocicleta foi mordida.
“Foi um susto grande e quase caímos de moto por conta dos cães que correram atrás. Um deles acabou mordendo a minha perna. Fique na dúvida sobre onde encontrar a vacina, se teria que vacinar de imediato. Muitas pessoas têm dúvidas sobre isso. O meu caso ocorreu na sexta-feira passada e nesta segunda conseguir me vacinar na UBS do Novo Encontro”, disse a jovem.
Já no Residencial Brisa da Serra, uma moradora que nos procurou mostrou preocupação com a quantidade de cães errantes infestados de carrapatos.
“São mais de 10 cachorros cheios de carrapatos, tem uns que estão até com morotó. Os cachorros mordem as pessoas que passam, rasgam lixos e isso sem falar dos cavalos também na rua. Encaminhamos a reclamação para a síndica, mas ela nunca da razão para os moradores”, queixou-se a moradora.
Estamos encaminhando a situação para a Prefeitura de Juazeiro.
Pontos de vacinação
Procurada pelo PNB, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a vacina antirrábica humana está disponível em unidades de referência dentro dos distritos sanitários, sendo elas: UBSs Quidé, Penha, João Paulo II, Tabuleiro, João XXIII, Dom José Rodrigues, Novo Encontro e São Geraldo.
“De acordo com as orientações do Ministério da Saúde, diante da ocorrência de mordidas de cães, a recomendação é que imediatamente lave o local ferido com água, sabão e procure assistência em qualquer estabelecimento de saúde para avaliação. É preciso analisar se vai ser realizada vacinação e soro antirrábico, somente vacinação ou se o animal pode ser observável ou não. Após o primeiro atendimento e na necessidade de vacinação, o paciente é encaminhado para a Unidade de Saúde de referência”.
Outros casos
No início de janeiro leitores do Portal Preto no Branco entraram em contato com a nossa redação para alertar sobre os ataques de cães. Eles reivindicaram fiscalização e ações do poder público voltadas a causa animal.
Um dos ataques ocorreu no bairro Alto do Cruzeiro, quando um Pitbull que estava solto em uma das ruas e sem focinheira, atacou outro cachorro.
“O cachorro que foi atacado é de um morador e ficou bastante ferido. Não é a primeira vez que o tutor deixa o Pitbull solto, sem focinheira. Em outra ocasião o animal quase atacou uma senhora. Estamos com medo de algo grave acontecer, pois no bairro têm muitas crianças, idosos. Existe uma lei que obriga o uso de focinheira em animais de grande porte, mas a mesma não é levada a sério”.

Outro ataque ocorreu na orla 2 de Juazeiro, quando um homem foi mordido por um animal errante.
“Meu pai estava passando pela orla 2 da cidade e foi mordido por um cachorro de rua.
Logo em seguida, esse mesmo cachorro e outros avançaram em mais duas pessoas. Aquele local é cheio de cães errantes e não vemos nenhuma ação voltado para o controle e o bem estar desses animais. Espero que a nova gestão fique atenta e seja atuante nesta causa”, cobrou.
TAC/MPBA
Em julho do ano passado, a Prefeitura de Juazeiro firmou um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Estadual, para em um prazo de 180 dias implantar um programa permanente de controle populacional de animais com esterilização de cães e gatos, de acordo com o disposto na Lei Federal n.º 13.426/2017 e nas resoluções do Conselho Federal de Medicina Veterinária.
O TAC, de autoria do Promotor de Justiça Alexandre Lamas da Costa, estabeleceu também um prazo de 180 dias para que o município conclua “as reformas do canil/gatil público para atender os animais da comarca e dotar de equipamentos, insumos, medicamentos, estrutura, veículos e pessoal necessários para a prestação dos serviços de fiscalização. Além disso, implementar o serviço de esterilização de cães e gatos abandonados e errantes em via pública, em número semanal a ser apurado através de estudo de situação, além de mutirões se necessário”.
Segundo o Promotor de Justiça, as medidas deverão ser implementadas “sem prejuízo de, no mínimo uma vez por semana, ter o mesmo serviço à disposição gratuitamente da população comprovadamente carente (famílias que dispõem do Cadastro Único) e das entidades filantrópicas de proteção animal situadas no Município e previamente cadastradas junto à Secretaria de Meio Ambiente”.
O TAC estabelece ainda outras medidas, como “o fornecimento de ração aos animais acolhidos ou capturados e realização de procedimentos de apreensão dos animais, com adoção das providências sanitárias pertinentes a todo e qualquer animal que estiver acometido de zoonose e que ponha em risco a saúde pública. Também devem ser apreendidos todos animais que estiverem submetidos a maus tratos ou mantidos em condições insalubres de alojamento”.
O Promotor de Justiça registrou ainda que o Município deverá instalar e disponibilizar à população sistema ininterrupto de denúncias de maus tratos contra animais.
“Há uma ineficiência da atuação pública municipal no sentido de proteção à população de cães e gatos em situação de risco (“animais de rua/abandonados”), os quais encontram-se à mercê de todas as formas de violência, desabrigados, feridos, com sujeição de risco de doenças à própria população”, observou Alexandre Lamas.
Redação PNB
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