Aluna transexual denuncia transfobia em escola estadual de Juazeiro: “o preconceito é muito enraizado”

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A estudante do EJA, Andreia Darc Alves Ribeiro, 24 anos, mulher transexual, entrou em contato com o Portal Preto no Branco para denunciar ter sido vítima de transfobia no Colégio Estadual de Tempo Integral Paulo José de Oliveira, em Juazeiro, na região Norte da Bahia. Segundo ela, o episódio aconteceu na noite dessa terça-feira (12), envolvendo a direção da escola e um agente da portaria.

“Há muitos meses eu venho sofrendo transfobia na instituição de ensino. Me chamam de homem por eu ser uma mulher trans. Já ouvi muitas piadas do gestor e da equipe da portaria. Ontem, eles barraram o meu direito de ir e vir. Eu já tinha terminado minha atividade, não estava mais em horário de aula, e queria ir embora porque tinha acabado de chegar do trabalho e estava cansada. Eles não deram nenhuma explicação, apenas disseram que eu não poderia sair”, relatou.

A estudante afirma que o gestor queria que os alunos permanecessem para assistir a um jogo de futebol e que, ao insistir para sair, foi destratada e alvo de comentários ofensivos. “Ele já vinha fazendo piadas transfóbicas comigo e, ontem, soltou que ‘esse tipo de gente gosta de confusão’. Já ouvi, dele e de policiais que frequentam a escola, falas como: ‘engana qualquer homem’, ‘como será que é nua?’, e ‘parece uma mulher’. Isso aconteceu várias vezes”, denunciou.

Andreia disse ainda que, durante a discussão, ouviu ameaças do agente de portaria e, para se defender, reagiu. “Ele disse que ia ‘meter a porra em mim’. Eu peguei uma cadeira para me proteger. O diretor chamou policiais amigos dele, que me conduziram até a delegacia”

A estudante acusa também os policiais militares que atenderam a ocorrência de praticarem transfobia contra ela. “No caminho, ouvi mais ofensas e comentários depreciativos sobre minha identidade de gênero e minha profissão. Disseram que eu precisava de ‘um macho’ e que eu já era ‘um macho’. Eles me humilharam dentro da viatura e insinuaram que eu carregava armas escondidas por ser transexual. Fizeram comentários ofensivos sobre meu corpo e minha vida”, afirmou.

A 76ª Companhia Independente da Polícia Militar chegou a divulgar uma nota nas redes sociais sobre a ocorrência, se referindo à aluna no masculino.

A aluna afirma ainda que teme pela própria segurança. “Sou uma mulher transexual da periferia, trabalho como doméstica e na zona rural. Estou com medo de voltar à escola porque os policiais que me prenderam atuam perto e são amigos do gestor e do porteiro. Pedi proteção à escola, mas eles não quiseram assinar nenhum documento. Hoje, me sinto vulnerável e sem acolhimento”, disse.

Andreia afirma que pretende buscar seus direitos e que outros alunos também já sofreram preconceito dentro da instituição. “Isso não é só comigo. Já vi alunos sendo chamados de ‘viadinho’, ‘noiadinho’ e ‘negrinho’. O preconceito é muito enraizado. Quero que isso acabe, que haja respeito e que ninguém mais passe pelo que eu passei.”

O PNB está entrando em contato com o Núcleo Território de Educação-10 e com a Polícia Militar em busca de esclarecimentos.

Redação PNB

5 COMENTÁRIOS

  1. Estudo nessa escola, e já presenciei por várias vezes os comentários do vigilante noturno, ouvi da boca dele falando com outro aluno guei, que:só é viado pq nunca pegou em um “parede inchada.

  2. Estudo nessa escola, e já presenciei por várias vezes os comentários do vigilante noturno, ouvi da boca dele falando com outro aluno guei, que:só é viado pq nunca pegou em um “pal” de inchada.

  3. Estudo na mesma escola, e já presenciei comentários racistas e homofóbico da boca do vigilante noturno, ele chegou a falar com um aluno que é guei:ele só é “viado” pq nunca pegou em um pal de inchada,isso é uma vergonha,até quando teremos que passar por isso?

  4. A intolerância, o racismo , preconceito seja com identidade de gênero ou não , isto é desprezível e feita por diretor de escola , dentro de uma unidade estudantil isto é desprezível mais ainda, podia a direc e secretaria do estado mudar a direção e o agente se portaria mandar eles embora , por que a população quer educação e não preconceito. Basta tanta hipocrisia

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