Nesta quarta-feira (27), circulou em alguns blogs do Vale do São Francisco a informação de que “o PSOL Bahia teria diplomado a primeira vereadora em Juazeiro”, referindo-se a suplente Manuella Tyler e, equivocadamente, ressaltando que seria a “primeira mulher trans do Sertão do São Francisco a alcançar o cargo”.
Entretanto, durante entrevista ao Portal Preto no Branco na Transrio FM, quando participaram Ronaldo Mansur, presidente estadual do PSOL, e Davidson Brito, Secretário Estadual de formação, os dirigentes negaram a informação e esclareceram que Manuella Tyler não assumiu mandato como vereadora, apenas foi diplomada como primeira suplente.
“É importante reafirmar que a direção do PSOL não tem poderes para diplomar quem quer que seja. Essa é uma competência que não nos cabe. Na nossa avaliação, há uma confusão por parte das matéria publicadas. Que a população de Juazeiro esteja muito atenta a isso, pois, neste momento, o resultado eleitoral garantiu que ela ficasse na primeira suplência dentre as candidaturas que a Federação PSOL/ Rede. Então, o fato que aconteceu recentemente foi que a Manuela foi diplomada dentro de um rito processual como primeira suplente. Primeira suplente não é vereadora, primeira suplente não tem poderes do ponto de vista da administração pública. É como se ela tivesse, para quem gosta de futebol, ali na reserva, no banco de reserva, esperando o titular sair de campo, para aí sim ela poder entrar. Mas enquanto esse titular continua em campo, ela continua sem nenhum tipo de participação efetiva dentro dos trâmites da Câmara Municipal de Juazeiro. Então, não tem a competência de fazer indicação, de participar das sessões. Eu vejo aí uma tentativa de confundir a população”, afirmou Davidson Brito.

Ainda durante a entrevista, o secretário informou que Manuella está suspensa dos seus direitos políticos dentro do partido. A decisão foi tomada após denúncias de quebra de fidelidade partidária no processo eleitoral de 2024, encaminhadas ao Conselho de Ética Nacional.
“Ainda no início do ano, na primeira reunião presencial da direção estadual do partido, a partir, inclusive, de todos os relatos que foram apresentados pela direção municipal de Juazeiro para a direção estadual, comprovavam, de maneira muito explícita, a posição da Manuela ao longo do processo eleitoral de 2024 em uma quebra de fidelidade partidária em relação à posição aprovada nas instâncias da direção municipal e validadas pela direção estadual do nosso partido. Ao que se diz respeito à nossa tática eleitoral, que foi de conhecimento público, de apoio à candidatura do então candidato a prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves (…) A Manuela optou por um caminho independente da posição do partido, mesmo recebendo todo o apoio político e financeiro do PSOL para que construísse a sua campanha em 2024. Manuela segue tomando decisões independentes das decisões da direção municipal de Juazeiro e das decisões da direção estadual. Em janeiro nós fizemos esse debate dentro da direção estadual e encaminhamos a denúncia para o Conselho Nacional de Ética Nacional do Partido, para que fossem dadas avaliações necessárias e que as decisões fossem submetidas à direção nacional do partido. Até que o Conselho de Ética tome uma decisão sobre o que foi encaminhado, Manuela permanece suspensa dos seus direitos políticos enquanto filiada do PSOL. Isso significa basicamente dizer que a Manuela não pode se apresentar publicamente em nome do partido”, ressaltou o dirigente.
Davidson finalizou afirmando que o “PSOL segue acreditando que é fundamental organizar nas suas fileiras as mulheres, os negros e as negras, LGBTQIA+, quilombolas, indígenas, todos esses setores que, historicamente, apesar de serem maioria da população quando juntos, acabam sendo minoria nos espaços de decisão de poder”.
Segundo informações obtidas pelo PNB, a diplomação de Manuella Tyler somente aconteceu na semana passada, e não no início do ano, como ocorreu com os vereadores e suplentes, devido a pendências na sua documentação. O Vereador Titular é Ciel Baiano (REDE), que obteve 1.707 nas eleições de 2024. O PSOL continua sem representação no legislativo municipal.
Redação PNB



