Após a nora da paciente Dona Célia de Jesus Silva reclamar através do Portal Preto no Branco da demora no atendimento médico no Hospital Regional de Juazeiro, na região Norte da Bahia, a gestão da unidade se manifestou.
Em nota, o HRJ informou que a referida paciente foi avaliada pelo médico vascular ainda na terça-feira (26) e já encontra-se internada no setor especializado, recebendo os devidos cuidados. A unidade esclarece que a solicitação de análise da paciente foi feita no dia 24, sendo que o prazo máximo para avaliação do médico vascular é de 72 horas. Contudo, em 48 horas, antes mesmo do referido prazo terminar, o responsável pela avaliação forneceu a devolutiva. O HRJ, que é referência no atendimento de média e alta complexidade para os 53 municípios que integram à Rede PEBA (Pernambuco/Bahia), enfrenta atualmente, em virtude da elevada demanda, um cenário de superlotação, o que impacta diretamente no serviço de urgência e emergência. Além disso, a unidade é porta aberta para clínica médica e cirúrgica. O hospital ressalta que vem adotando medidas para minimizar a sobrecarga no atendimento”.
Reclamação
Na terça-feira (26), indignada com a situação dos pacientes, Cleide Jane de Almeida, que estava acompanhando a sogra, Dona Célia, registrou um flagrante do corredor do hospital lotado de usuários aguardando atendimento de um médico vascular ou angiologista/cirurgião vascular.
Segundo ela, Dona Célia, que é diabética e hipertensa, estava internada no HRJ desde o último domingo (24), aguardando por um médico. A paciente já havia ficado um mês e 15 dias internada no hospital, está com uma infecção no pé, o que motivou seu retorno à unidade.
“É um absurdo o que está acontecendo aqui. Minha sogra está sofrendo, e ninguém faz nada. Ela precisa de um médico urgente”, desabafou Cleide.
“Tem 3 dias que eu estou aqui no regional precisando de uma consulta com um médico vascular e nunca apareceu nenhum aqui. Estamos aqui jogados no corredor. Os acompanhantes estão dormindo em papelão no chão. Toda hora manda a gente ir n Assistente Social, na Ouvidoria, em todo canto. Eu estou para perder meu pé aqui, precisando de uma consulta e ninguém vem aqui. Um descaso!”, relatou a própria paciente.
Além do caso de Dona Célia, Cleide relatou que outros pacientes também enfrentavam a mesma situação. Um idoso, também no corredor, aguardava há seis dias por um médico para amputar um dedo necrosado, contou Cleide. O quadro do paciente se agravou e já comprometeu toda a mão, relatou.
“Ele está com o dedo necrosado, era só a ponta do dedo e agora está tomando o dedo todo, mas nada do vascular vir analisar”, contou Cleide.
Os acompanhantes ainda contaram que estavam dormindo no chão por falta de uma mínima acomodação para eles.
“Eu sou filha de paciente e aqui deitada há mais de seis dias nesse papelão, sendo que têm camas e não nos oferecem. Só dizem que o vascular não está no hospital, sendo que o vascular aparece mas só na parte de cima, aqui embaixo não. Esses pacientes estão precisando, porque o risco é grande, risco de perder a perna, de perder o braço, a mão. O vascular precisa dá as caras. Não é justo o que eles estão fazendo com a sociedade. Queremos um médico vascular, porque já tem mais de não sei quantos dias que ele não aparece pra nada”.
Pacientes e acompanhantes exigiram a presença do profissional e pediram urgência.
“Isso não é justo! É desumano o que estão fazendo aqui. Tem que o vascular aparecer para dar assistência, avaliar para entrar com a medicação ou cirurgia. Não é só minha sogra, tem outras pessoas nesse estado. É um descaso com nós, é um descaso!”
Redação PNB



