“Em nome da Irmã Dulce, pedimos Socorro”: Trabalhadores do Hospital Regional de Juazeiro/OSID denunciam “assédio moral, perseguição, sobrecarga e tratamento hostil por parte de gestores”

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“Não suportamos mais! Estamos doentes, desanimados, sofrendo, sem nenhum estímulo para trabalhar e muitos com medo de ir até o hospital, outros pedindo demissão e vários precisando se afastar por adoecimento mental”, este desabafo chegou à nossa redação nesta quinta-feira (28) de um profissional de saúde que trabalha no Hospital Regional de Juazeiro.

Muito mais do que um relato dos que frequentemente chegam ao PNB, este é um pedido de socorro dos trabalhadores que denunciam assédio moral, perseguição, sobrecarga de trabalho, condições precárias de trabalho, maus tratos e hostilidade por parte dos gestores da instituição administrada pela OSID-Obras Sociais Irmã Dulce, alvo recorrente de reclamações.

Segundo relatos de dezenas de profissionais das diversas categorias, que procuraram nossa reportagem, na madrugada de hoje, a situação se agravou após o diretor do HRJ, que assumiu o cargo recentemente, abordar profissionais de forma hostil e “destemperada”.

“O clima é de tensão. De ontem para hoje, o novo diretor resolveu tocar o terror nos setores abordando os profissionais com muita grosseria. Completamente transtornado e destemperado, gritava com os funcionários na presença de pacientes. Tratando os profissionais com total desrespeito e cobranças sem cabimento. Expondo os trabalhadores, nos tratando como se fossemos moleques”, denunciou outro trabalhador.

Já há alguns meses, o PNB vem acompanhando a situação dos trabalhadores da unidade hospitalar e, mesmo após inúmeras denúncias, a insatisfação com o ambiente de trabalho só se agrava.

“Infelizmente uma instituição com o nome de nossa Santa Dulce não merece tanta denúncia por parte dos trabalhadores que estão sofrendo pela alta carga de trabalho, superlotação e como não bastasse muita perseguição com profissionais. Alguns já pediram demissão ou foram demitidos por não aguentar mais tanto desrespeito”, disse um funcionário da OSID.

Os funcionários relatam ainda que, mesmo após a troca de gestor, o clima “só piorou”.

“Houve uma troca de direção há poucas semanas e todos estavam esperançosos que esse trato com o trabalhador fosse humanizado e melhorasse, porém, só piorou e o próprio novo diretor está se encarregando de abordar os trabalhadores de forma ríspida e muito grosseira. E esse tratamento é com todos os funcionários: da recepção até o trabalhador da limpeza, maqueiros, passando por enfermeiros, médicos e técnicos de enfermagem. Essa situação está nos angustiando muito. Estamos com medo de trabalhar. Sabemos que há uma crise de saúde mental no Brasil e cresceu o número de afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão. No Hospital Regional não é diferente. Muitos estão doentes e vários precisando se afastar por algum problema psicológico contraído no hospital. Não é possível cuidar de pessoas doentes se os próprios profissionais estão doentes. Pedimos socorro antes que aconteça algo pior no hospital”, diz mais outro profissional da unidade.

Eles também denunciam assédio moral, perseguição, constrangimento e coação por parte de uma coordenadora e pedem a intervenção do Ministério Público do Trabalho: “Ela age com arrogância, quebra de hierarquia e tratamento humilhante, o que tem causado adoecimento psicológico em funcionários, que se sentem intimidados e desrespeitados no ambiente de trabalho. Enquanto a Irmã Dulce foi exemplo de humildade, respeito e serviço ao próximo, essa coordenadora segue o caminho oposto, prejudicando a dignidade dos trabalhadores. Diante disso, solicitamos que o Ministério Público do Trabalho investigue e adote providências urgentes, garantindo a proteção e os direitos dos colaboradores”, relataram.

“Estamos sendo assediados pelos coordenadores da enfermagem. Nos xingam, falam alto, botam apelidos, nos constrangendo na frente dos pacientes. Tem funcionário que vai para o banheiro chorar. Todo plantão acontece isso. Não nos identificamos por medo de perder nosso emprego, pois nos ameaçam diariamente”, disse mais um contratado da OSID.

Ainda de acordo com as denúncias, “as condições de trabalho são tão precárias que os trabalhadores tiram a hora de descanso deitados no chão, pois não há nenhuma acomodação”.

É muita humilhação! Nos tratam como lixo humano”, desabafou um trabalhador da higienização do hospital.

Confira abaixo uma carta enviada à nossa redação por um maqueiro detalhando as denúncias: 

Assunto: Denúncia de Assédio Moral, Quebra de Hierarquia, Arrogância, Constrangimento, Perseguição e Coação

Por meio desta carta denunciamos as condutas abusivas e recorrentes que caracterizam assédio moral e afrontam os princípios de respeito, dignidade e hierarquia no ambiente de trabalho.

Fatos Denunciados:

1. Quebra de Hierarquia: ignoram a cadeia de comando, impondo ordens e exigências de forma autoritária e sem respaldo na estrutura organizacional.

2. Arrogância e Constrangimento: constantemente utiliza palavras ofensivas, tom agressivo e atitudes desrespeitosas, expondo-me e aos colegas a situações vexatórias perante outros funcionários.

3. Perseguição e Coação: há insistente direcionamento de críticas, ameaças veladas de retaliação e pressões psicológicas para que a gente se submeta a ordens injustas ou ilegais.

4. Assédio Moral Repetitivo: as condutas relatadas não se tratam de episódios isolados, mas sim de práticas reiteradas que têm gerado ambiente de trabalho hostil, insustentável e de extremo desgaste emocional.

Consequências Psicológicas:

Devido a essa conduta abusiva e coercitiva, tenho enfrentado sérios problemas psicológicos, tais como: ansiedade constante; insônia e dificuldade de concentração; sensação de humilhação e impotência; medo de retaliações e perseguições ainda maiores; queda na motivação e desempenho profissional.

Ele concluiu pedindo que “sejam tomadas providências imediatas para cessar as práticas abusivas, preservando minha integridade física, emocional e profissional. Que sejam aplicadas as medidas disciplinares cabíveis contra o (s) responsáveis, conforme a legislação trabalhista vigente (CLT, art. 483, alínea e – assédio moral, coação e rigor excessivo)”.

Estamos encaminhando esta reportagem para a direção do Hospital Regional de Juazeiro (OSID) Secretaria Estadual de Saúde, Ministério Público do Trabalho e Gerência Regional do Trabalho e Emprego, em Juazeiro.

Redação PNB 

2 COMENTÁRIOS

  1. Me solidariso com os colaboradores do hospital regional de Juazeiro, pois são pessoas de uma sensibilidade impa, são pessoas que tratam a gente com o maior carinho. Que Deus abençoe a todos e que essa situação se resolva logo. Deixo a minha solidariedade a todos.

  2. Isso é verdade!
    Pois eu passei por coisas semelhantes a essa aí na própria instituição (OSID).
    É um verdadeiro descaso com os funcionários.
    Lamentável isso, mas o ministério precisa saber disso.

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