Há cidades que nascem com alma. Juazeiro é uma delas, aqui o vento sopra poesia sobre as águas do Velho Chico e a música parece brotar naturalmente das ruas, dos becos, dos mercados, das praças.
É uma cidade que sempre respirou cultura, mas que, por algum tempo, viu essa respiração ficar curta, quase silenciosa. Agora, Juazeiro volta a respirar fundo e o que se vê é um novo fôlego, cheio de cor, arte e esperança. A Jua Literária, realizada pela Prefeitura de Juazeiro por meio da Secretaria de Educação, foi o marco de um novo tempo, um evento que ultrapassou todas as expectativas e reacendeu algo profundo no coração da cidade: o orgulho de ser um povo criador, leitor e amante da cultura.
Foram dias de encanto e descobertas. Pelos corredores da feira era possível sentir a alegria de quem se reencontra com o que sempre foi seu: a arte, a palavra, o sonho, a alma!
Pela primeira vez, Juazeiro recebeu uma feira literária dessa grandiosidade, mais de 30 mil pessoas passaram pela Juá Literária, circulando entre livros, músicas, debates e apresentações que transformaram a cidade em um grande palco de ideias.
Nomes importantes da Bahia e do Brasil, da literatura e da música, estiveram aqui, compartilhando experiências e inspiração. Foi um encontro de gerações, de linguagens, de vozes, todas unidas pela força da cultura.
Mas, tenho que confessar a vocês, o que mais emocionou foi ver o brilho nos olhos das crianças. Graças à iniciativa da Prefeitura, milhares de alunos receberam um bônus de 70 reais para comprar livros, vivendo a experiência de escolher suas próprias leituras, folhear histórias, levar para casa o primeiro livro comprado com as próprias mãos, para muitos foi um gesto simples, para Juazeiro foi um ato de transformação, porque quando uma criança descobre o poder de um livro nasce um novo mundo dentro dela e o futuro de uma cidade inteira pode mudar de rumo.
Os números falam por si, mais de 6 milhões de reais em vendas de livros, um recorde histórico que mostra o potencial da nossa economia criativa e o quanto o juazeirense valoriza o conhecimento. Ainda assim, o verdadeiro impacto não foi apenas na economia. O grande legado foi o que se plantou nos corações dos juazeirenses. A Juá Literária mostrou que a cultura, quando apoiada e incentivada, floresce com força e multiplica vida.
Juazeiro sempre teve artistas geniais, músicos que encantam o Brasil, escritores que eternizaram o sertão e o rio em palavras, mas faltava o olhar atento do poder público, o reconhecimento de que investir em cultura não é gasto, é semeadura. E é isso que está acontecendo agora, há um resgate em curso, uma reconstrução do vínculo entre o povo e sua própria identidade. A cultura, antes esquecida, volta a ocupar o centro das atenções, devolvendo à cidade o brilho que é dela por direito.
A Juá Literária foi mais do que uma feira: foi um movimento de renascimento. Ela não apenas reuniu escritores, artistas e leitores, reuniu também memórias, afetos e esperanças.
Fez Juazeiro lembrar que sua maior riqueza vai além do rio e dos frutos da terra que por ele brotam. Está traduzida especialmente na sua gente criadora, que nunca deixou de acreditar no poder da arte.
Juazeiro voltou a florescer e quando a arte floresce, tudo floresce junto: a educação, a autoestima, a economia, a cidadania. A cultura está viva!
Juazeiro, enfim, voltou a respirar com o coração cheio de arte e com a certeza de que podemos ir muito mais além.
Pedro Filho, jornalista


