Hoje amanheci reflexivo com o momento pré-eleitoral. Percebo que além escolher candidatos, estamos escolhendo valores e destinos coletivos.
A política revela o que somos como sociedade, nossas esperanças, nossas expectativas, nossas omissões e nossos limites.
Em tempos de eleição, as promessas políticas voltam a ocupar o centro das atenções, os candidatos recorrem a estratégias de convencimento que apelam à emoção, à esperança e, muitas vezes, à necessidade imediata do eleitor, prometem melhorias rápidas, soluções definitivas e uma gestão “diferente de todas as outras”.
Contudo, a história política brasileira mostra que muitas dessas promessas não passam de instrumentos de marketing eleitoral, sem compromisso real com a execução, a distância entre o discurso de campanha e a prática administrativa revela o quanto a política ainda é usada como meio de conquista de poder, e não como serviço público capaz de atender as necessidades do povo.
Fazendo um recorte e trazendo para nossa comuna no sentido político-ideológico podemos observar como o processo político funciona em nosso meio, destacando a relação do candidato com a estrutura organizacional, envolvendo o servidor público eleitor.
Cientes da importância política do funcionalismo público, os candidatos buscam frequentemente estabelecer diálogo direto com servidores e suas entidades representativas, fazendo uso de estratégias de convencimento como por exemplo promessa de reestruturação de planos de cargos e salários, proposta de gestão participativa e meritocrática, compromissos com capacitação e valorização do servidor etc.
Uma vez eleitos ou reeleitos, muitas destas promessas não são concretizadas, causando uma sensação de traição nos servidores, sentimento este capaz de influenciar significativamente o resultado eleitoral, como ocorrera nas últimas eleições de prefeito em Juazeiro, onde candidatos perderam a eleição por uma margem de votos que se tivessem honrado os compromissos com os servidores municipais, valorizando-os, fazendo a concessão de reajustes salariais e gratificações garantidos em lei, teriam talvez sido reeleitos.
Com a aproximação das eleições e aqui parafraseando ditados populares, é de bom alvitre lembrar que os candidatos ponham a barba de molho, pois, os servidores públicos estão aprendendo a votar e como um gato escaldado, sentem medo de água fria. Fica a dica.
Djalma Amorim
Servidor aposentado



