Profissionais do projeto Esporte por Toda Parte, que atuam na Bahia, denunciam novos atrasos nos pagamentos e dizem viver situação “insustentável”

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Profissionais que atuam no projeto Esporte por Toda Parte, iniciativa gratuita do Governo da Bahia com núcleos distribuídos em diversos municípios do estado, voltaram a procurar o Portal Preto no Branco para denunciar novos atrasos no pagamento de salários. Conforme os relatos,  a falta de repasses em dia é um problema recorrente

“Estamos sem receber os salários de novembro. Além disso, a primeira parcela do décimo terceiro que era para ter sido paga em novembro, até o momento não caiu nas nossas contas. Os estagiários também estão sem receber seus pagamentos. Eles estão há três meses sem receber o auxílio bolsa estudante. Quando questionamos os responsáveis, só dizem que o repasse do governo ainda não foi efetuado e que, por isso, não há previsão de pagamento. A situação está insustentável”, declaram.

Estamos encaminhando as reclamações para o Instituto de Recuperação Missão Amor, empresa vencedora da licitação para a execução do projeto.

Relembre

Em setembro deste ano, profissionais já haviam entrado em contato com o PNB para reclamar dos atrasos nos pagamentos. Na ocasião, eles relataram que os salários estavam sendo pagos com até dois meses de atraso.

“Faço parte do projeto Esporte por Toda Parte, que conta com 260 núcleos espalhados por todo o território baiano. É um projeto muito bonito, porém os atrasos salariais são frequentes, e quem trabalha precisa receber. No ano passado, o salário de outubro, que deveria ser pago no início de novembro, só foi recebido em dezembro, junto com o de novembro. Em fevereiro, o pagamento atrasou novamente e só recebemos em abril. Agora, mais uma vez, deveríamos ter recebido no quinto dia útil de agosto e até hoje nada, já estamos em setembro e sem previsão de quando o pagamento será feito”, afirmou na época um professor que pediu para não ser identificado.

Os profissionais afirmaram ainda que a empresa justificava que os atrasos ocorriam devido ao período de prestação de contas junto ao governo. No entanto, eles argumentaram que o IRMA deveria dispor de capital de giro para honrar os compromissos trabalhistas.

“A justificativa que dão é a prestação de contas, mas a empresa deveria ter recursos próprios para pagar os funcionários independentemente do repasse governamental. Tivemos todos esses atrasos e nunca recebemos qualquer valor a mais por multa ou correção”, declarou outro professor.

Na época, os educadores relatam ainda as dificuldades enfrentadas pela categoria.

“Nossas contas estão atrasadas, os juros só aumentam. Somos pais e mães de família, temos obrigações a cumprir e só queremos o que é nosso por direito, ou ao menos uma posição clara. Não podemos ser prejudicados por causa de uma prestação de contas da empresa, já que cumprimos com a nossa parte. O FGTS tem sido depositado regularmente todos os meses, mas o salário não. No mês passado, enviaram o vale-transporte, apenas para garantir que não parássemos as aulas, mas o pagamento não foi feito”, disse outro

Na ocasião, os trabalhadores afirmaram também que, apesar dos sucessivos atrasos, nunca receberam qualquer correção ou valor adicional referente aos pagamentos fora do prazo.

“A gente sempre é penalizado. Nossas contas atrasam, os juros se acumulam, e a empresa não cobre esses prejuízos. Meu nome, por exemplo, foi negativado porque não consegui pagar algumas contas em dia. Nós somos contratados pelo regime da CLT, então eles têm a obrigação de pagar multa pelos dias de atraso. Pela Súmula 381 do TST, em caso de atraso salarial, o empregado tem direito à correção monetária a partir do dia 1º do mês subsequente ao vencimento, e nunca recebemos nada nesse sentido. Hoje já é o quinto dia útil de setembro e ainda não recebemos sequer o salário de julho”, afirmou uma professora.

Na época, a empresa não se manifestou sobre a situação.

 

Redação PNB 

2 COMENTÁRIOS

  1. A grande questão é que os professores não paralisam as atividades. Continuam vivendo de esperança e essa não paga contas. Quando resolverem tomar atitude, será tarde demais. Tá na hora da Sudesb e o Governo do Estado cumprirem seu trabalho e cobrar que nos paguem! Estamos praticamente passando fome!

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