Há despedidas que não soam como fim, mas como eternidade. O último show da turnê de Gilberto Gil, ontem, na Fonte Nova, em Salvador, foi exatamente assim: um abraço longo da música brasileira em quem aprendeu a viver através dela. Estar ali foi mais do que assistir a um espetáculo. Foi testemunhar a história pulsar, respirar e agradecer.
Gil entrou em cena como quem nunca saiu do coração do povo. Cada acorde carregava memórias, cada verso parecia saber exatamente onde tocar. Era impossível não se emocionar ao perceber que aquele homem, ícone maior da nossa Música Popular Brasileira, ajudou a construir a trilha sonora de tantas vidas, inclusive a minha. Viver esse momento único foi sentir orgulho, pertencimento e gratidão ao mesmo tempo.
A Fonte Nova virou um grande terreiro de afeto quando Ivete Sangalo, a nossa juazeirense que leva a Bahia para o mundo, surgiu para dividir o palco. A energia dela encontrou a serenidade de Gil num encontro de gerações que arrepiou. Carlinhos Brown trouxe o pulsar do Candeal, o ritmo ancestral que faz o corpo entender antes mesmo da razão. E Daniela Mercury transformou o estádio em um carnaval de emoção, lembrando que a Bahia é movimento, é voz, é resistência.
Ali, sob o céu de Salvador, não era apenas um show. Era uma celebração da cultura brasileira, da liberdade, da mistura, da arte que nos forma e nos transforma. Saí da Fonte Nova com o coração cheio, a alma lavada e a certeza de que Gilberto Gil é o MAIOR. Em cada canção, em cada memória, em cada emoção que seguirá ecoando por gerações.
Salve, Gilberto Gil!
Por Manu Lustosa, jornalista



