Com a proximidade do Carnaval de Juazeiro, período marcado por festas, trios, blocos de rua e grande circulação de pessoas, cresce também o consumo de bebidas alcoólicas. Diante do cenário recente de casos de contaminação de bebidas com metanol, foliões devem redobrar a atenção para curtir a festa com segurança.
O metanol, quando ingerido, pode provocar efeitos graves à saúde, como náuseas, vômitos, tontura, dores abdominais, alterações visuais, coma e até óbito, além de causar falência de órgãos vitais, como rins e pulmões. A substância costuma ser associada à adulteração de bebidas ou à produção clandestina, principalmente de destilados, como cachaça, vodka, uísque, rum, tequila e gin. Importante ficar atento também as bebidas preparadas com destilados, como coquetéis, drinks e afins.
Nos últimos meses, a Bahia vem registrando casos suspeitos e confirmados de intoxicação por metanol. Um dos episódios mais recentes ocorreu na última quarta-feira (14), quando um idoso de 66 anos foi internado em uma unidade hospitalar de Senhor do Bonfim, no norte do estado, com suspeita de intoxicação pela substância. O caso segue sob investigação.
Em outro episódio, Vinícius Oliveira, de 31 anos, morreu após intoxicação por metanol. Além dele, outras seis pessoas também consumiram a substância durante uma festa de casamento em Ribeira do Pombal, no interior da Bahia.
Em dezembro, Juazeiro registrou a primeira morte por intoxicação com metanol no Hospital Regional do município. O jovem havia consumido uísque em uma festa realizada em Petrolina, cidade vizinha.
Segundo o médico Carlos Ribeiro, os sintomas da intoxicação nem sempre aparecem de forma imediata.
“Em muitos casos, eles podem surgir horas depois da ingestão da bebida, geralmente entre 6 e 24 horas. A atenção aos sintomas é extremamente importante”, explicou.
Ao suspeitar da ingestão de uma bebida adulterada ou ao apresentar qualquer sintoma incomum, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
“Buscar socorro médico ao notar qualquer alteração é crucial. O atendimento rápido é um divisor de águas no prognóstico, pois quanto mais cedo ocorrer, maiores são as chances de sucesso”, reforça o médico.
O risco de intoxicação, segundo o especialista, é maior em bebidas destiladas comercializadas sem fiscalização adequada, especialmente aquelas vendidas a granel, sem rótulo ou sem informações sobre procedência. Diferente da cerveja, que passa por processos industriais padronizados, destilados artesanais ou clandestinos podem conter substâncias tóxicas devido a falhas na produção ou adulteração intencional.
Para reduzir os riscos durante festas e grandes eventos, a recomendação é optar por bebidas de procedência conhecida, verificar rótulos e selos de fiscalização e evitar produtos com preços muito abaixo do valor de mercado. Também é importante desconfiar de bebidas com cheiro forte, coloração alterada ou sabor diferente do habitual, além de evitar misturas desconhecidas oferecidas de forma informal.
“O primeiro passo é comprar bebidas em locais de confiança, onde o consumidor já conhece o fornecedor. Conferir embalagens, lacres e qualquer sinal que gere desconfiança sobre uma possível adulteração é fundamental”, alerta o doutor Carlos Ribeiro.
O Procon de Juazeiro orienta que as compras sejam realizadas apenas em estabelecimentos regulares e fiscalizados. Em caso de suspeita no momento da aquisição, o consumidor deve acionar o órgão por meio do site da Prefeitura de Juazeiro, no espaço destinado ao Procon Digital.
Com informação, atenção à procedência e busca rápida por atendimento médico em caso de suspeita, é possível aproveitar o período festivo com mais segurança e preservar a saúde.
Redação PNB



