Funcionários terceirizados do Conjunto Penal de Juazeiro denunciam supostas condições precárias de descanso: “retiraram nossos colchões e lençóis”

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Funcionários terceirizados que atuam na cozinha do Conjunto Penal de Juazeiro, na região Norte da Bahia, entraram em contato com o Portal Preto no Branco para denunciar supostas condições precárias de trabalho. Conforme os relatos, os trabalhadores estão sendo obrigados a dormir no chão, sobre papelões, após a retirada de colchões e lençóis que eram utilizados no período de repouso.

“Nós, funcionários da cozinha, não estamos tendo direito a um descanso digno, principalmente os que trabalham no plantão da noite. Estamos dormindo no chão, em cima de papelão. Antes nós tínhamos colchões, mas a regência tirou, com uns lençóis. A informação que saiu foi que tocaram fogo nos colchões e nos lençóis dos funcionários. Agora estamos nessa humilhação”, relatam.

Os trabalhadores também denunciam tratamento desigual em relação a outros setores da unidade prisional.

“Estão mandando a gente ir tirar hora de descanso com os monitores, sendo que lá não tem lugar nem para eles. Já na ala feminina, todos os funcionários tiram hora de descanso, porque lá tem colchão para elas. Na enfermaria também tem colchões para as enfermeiras tirarem hora. Só tiraram os nossos colchões e lençóis”, acrescentam.

Além da falta de condições mínimas de descanso, os funcionários da cozinha relatam sobrecarga extrema de trabalho, especialmente durante o período noturno.

“À noite somos só quatro funcionários para dar conta de quase 1.500 internos e ainda dos funcionários. Fazemos feijão, carne, café, leite, cortamos frutas, passamos manteiga em quase 3 mil pães, porque são dois pães para cada interno”, relata um denunciante.

Os funcionários afirmam ainda que realizam tarefas que não fazem parte da função de auxiliar de cozinha, acumulando atividades de outros cargos.

“Lavamos marmitas dos internos, limpamos chão, fazemos serviço de ASG, de auxiliar de cozinha e de cozinheiro. Fazemos três funções”, completa outro trabalhador.

Os relatos também apontam um ambiente de trabalho marcado por humilhações e perseguições, especialmente contra os funcionários da cozinha.

“Quem mais trabalha ali somos nós, e estamos sofrendo perseguições só porque somos da cozinha. Isso é desumano. Cadê a ressocialização que dizem que existe lá?”, questionam.

Estamos encaminhando os relatos para o Conjunto Penal de Juazeiro em busca de esclarecimentos.

 

Redação PNB 

1 COMENTÁRIO

  1. Ressocializar? O sistema prisional do Brasil só funciona e dá boa assistência para criminosos do colarinho branco.O ” Estado” não pode terceirizar serviços de um órgão de segurança, ou seja, local onde se encontram homicidas e estupradores. O descaso é geral.

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