Produtores alertam para seca no riacho do Salitre e captação irregular de água na região do Mulungu, em Juazeiro

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Moradores e pequenos produtores rurais da região do Mulungu, no interior de Juazeiro, na região Norte da Bahia, entraram em contato com o Portal Preto no Branco para relatar a grave situação do Riacho do Salitre, especialmente no trecho próximo à ponte da localidade. Segundo os relatos, o riacho está completamente seco, comprometendo a produção agrícola e a subsistência de dezenas de famílias que dependem da água para irrigar suas plantações.

“O riacho está seco, e muitos pequenos produtores estão sentindo na pele o drama de não ter água para molhar suas plantações. Muitos pais de família colocam uma semente no solo, mas não sabem se vão colher nos próximos meses”, relata um morador da comunidade.

De acordo com os produtores, os associados à entidade Águas do Salitrinho precisam seguir normas rígidas de uso da água, entre elas a proibição de ligar bombas de captação às quartas-feiras e aos sábados. No entanto, a população afirma que essa regra não estaria sendo respeitada por empresas de grande porte.

“Justamente em uma quarta-feira, um caminhão-pipa de uma empresa terceirizada que presta serviços para a Enerva abasteceu mais de uma vez, com ordens que ninguém sabe de quem partiu”, denuncia outro agricultor.

Ainda segundo os moradores, essa prática ocorre desde o início do empreendimento conhecido como Parque de Produção de Energia Solar Futura. Para viabilizar a captação de água pelo caminhão-pipa, a empresa teria realizado aterros nas margens do riacho, agravando o assoreamento de um curso d’água já bastante degradado.

“Se essa empresa é associada, precisa seguir as mesmas normas que o pequeno produtor. Não é justo quem tem menos sofrer mais”, reforça o relato.

Outro ponto crítico denunciado pela comunidade é a situação da ponte localizada no Mulungu, que dá acesso à região.

Já colocando um ponto muito importante, fica também a ponte já citada anteriormente, que se encontra sem condições nenhuma de passar veiculos pesados. Foi realizada vistoria da Defesa Cívil,.mas só ficou na visita mesmo. Até o exato momento não chegou ninguém pra resolver a situação”, relata um morador.

Diante da escassez de água, um grupo de moradores afirma estar buscando apoio junto a vereadores da região e dialogando sobre a possibilidade de uma intervenção da Codevasf, que poderia viabilizar o fornecimento emergencial de água para o riacho. No entanto, segundo eles, nenhuma resposta efetiva foi dada até agora.

“Se tiver algum retorno, que deem ao menos uma esperança para a população. Estamos sem esperança. É triste ver nossa plantação sem futuro”, desabafa um agricultor.

Os moradores classificam a situação como contraditória, uma vez que o riacho do Salitre é ligado ao Rio São Francisco.

“É difícil ver, em 2026, um riacho ligado ao Velho Chico completamente seco. Temos muitos vereadores da região que conhecem os problemas, mas parece que depois de eleitos ficam cegos e com amnésia”, criticou outro denunciante.

Encaminhamos os relatos para a CODEVASF em busca de esclarecimentos e aguardamos respostas.

Redação PNB 

1 COMENTÁRIO

  1. O rio salitre ja foi um rio perene, durante o ano todo tinha agua. Mas na decada 1980 chegou a energia eletrica e a exploração em escala maior do que o rio podia suportar. Eis aí o resultado. Nenhuma força governamental apresentou uma solução. O rio vai, como sem cuidados, se esvaindo aos poucos. A solução seria transpor agua do Sao Francisco.

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