Diante de uma tragédia como essa, faltam palavras — mas não pode faltar reflexão, por Rubnério Araújo Ferreira

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Quando uma vida é tirada, já é devastador. Quando duas crianças, que representam inocência, futuro e esperança, são vítimas de uma violência tão extrema, toda a sociedade é ferida. Não há justificativa possível. Não há dor que autorize transformar sofrimento em destruição. O que aconteceu é revoltante, inaceitável e merece o mais firme repúdio.

É preciso dizer com clareza: conflitos conjugais, frustrações, ciúmes ou desentendimentos jamais podem servir de pretexto para a violência. Adultos têm responsabilidade sobre suas escolhas. Crianças jamais podem pagar com a própria vida por crises que não lhes pertencem.

Esse episódio também nos obriga a olhar para a importância da saúde mental, do diálogo e da busca por ajuda. Muitas vezes, sinais de desespero são ignorados ou minimizados. Precisamos fortalecer redes de apoio, incentivar o acompanhamento psicológico e combater a cultura de silenciamento emocional que ainda persiste, sobretudo entre homens que foram ensinados a não demonstrar fragilidade.

Como sociedade, devemos transformar indignação em compromisso: compromisso com a proteção da infância, com a valorização da vida e com políticas públicas que promovam prevenção, acolhimento e acompanhamento de famílias em situação de conflito.

Hoje, o que fica é a dor, a consternação e a revolta. Que fique também o aprendizado de que nenhuma crise justifica a violência. Que a memória dessas crianças nos lembre da nossa responsabilidade coletiva de proteger os mais vulneráveis.

Repudiamos com veemência esse ato cruel. E reafirmamos: a vida é o bem maior. Sempre.

Rubnério Araújo Ferreira/Presidente OAB Subsecção Juazeiro 

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