“Respeitem os povos tradicionais!”: Mandato Coletivo/Professor Gilmar Santos repudia declarações do pastor Edilson Lira sobre a Ilha do Massangano

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O Mandato Coletivo, representado pelo vereador Professor Gilmar Santos, vem a público manifestar veemente repúdio às declarações do pastor Edilson Lira, da Igreja Verbo da Vida, que comparou a Ilha do Massangano à Ilha do Marajó, associando esses territórios a imagens de pecado e degradação.

A Ilha do Massangano é um patrimônio histórico, cultural e espiritual do povo de Petrolina. Território centenário de descendentes de quilombolas e escravizados, carrega a força da ancestralidade africana, indígena e do catolicismo popular. É reconhecida por suas belezas naturais – sob as bênçãos do Velho Chico, pela tradicional Festa de Santo Antônio e pelo emblemático Samba de Véio, expressões legítimas da identidade do nosso povo.

Estigmatizar comunidades tradicionais, atribuindo-lhes uma suposta condição moral inferior, é uma atitude preconceituosa, desrespeitosa e incompatível com os princípios constitucionais da dignidade humana, da liberdade religiosa e do respeito à diversidade cultural.

Os problemas sociais que atingem a Ilha do Massangano, assim como a Ilha do Marajó, não decorrem de suas tradições culturais ou religiosas, mas do abandono histórico do poder público e de desigualdades estruturais que precisam ser enfrentadas com políticas públicas sérias e comprometidas com a justiça social.

Nossa manifestação de repúdio se impõe, principalmente, diante do fato do pastor, após atacar a dignidade dos moradores da Ilha do Massangano, ao invés de se retratar perante uma comunidade indignada, resolve atacar também esse vereador que representa a luta de grupos vulnerabilizados socialmente por equidade e justiça social, numa evidente ofensiva que destoa do evangelho e alimenta uma lógica revanchista.

Reafirmamos nosso compromisso com a defesa das comunidades tradicionais, da liberdade de crença e da valorização da cultura popular. Não aceitaremos que discursos de uma evangelização colonizadora sirvam para alimentar preconceitos, atacar identidades e reforçar estigmas contra o nosso povo.

A Ilha do Massangano exige e merece respeito. Respeitem os povos tradicionais!

Petrolina, 20 de fevereiro de 2026
Mandato Coletivo – Vereador Professor Gilmar Santos (PT/Petrolina-PE)

Redação PNB

1 COMENTÁRIO

  1. Um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é o pluralismos político, art. 1º, inc. V, da CF/88. Esse fundamento garante a coexistência de diversas opiniões, ideologias e partidos políticos, assegurando também o respeito à diversidade de pensamentos. A mesma carta política, instrumento jurídico que formaliza o Estado Brasileiro, assegura a liberdade de consciência e de crença, art. 5º, inciso VI, e de expressão, no inciso IV, do mesmo artigo, esta consistindo no direito que todo indivíduo tem à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de expressar suas opiniões, envolvendo crenças religiosas. Sei que nenhum direito é absoluto, e que a liberdade religiosa e de expressão não deva ser usada para cometer ilícitos penais e a ofender quem quer que seja.

    Todavia, no caso, o pastor Edilson apenas fez uma citação bíblica e uma comparação, sem nenhuma conotação ofensiva a nenhum grupo tradicional ou religioso específico, visando humilhar, caluniar, difamar quem quer que seja. A liberdade religiosa consiste em se poder falar, pregar, proclamar valores da fé que professamos. Ocorre é que, na sociedade progressista, valores cristãos sempre são acusados de ofensivos, violentos e difamadores. Nessa sociedade, pode-se colocar Jesus sendo humilhado na avenida, como gay, famílias evangélicas em latas, como foi o caso da escola Acadêmicos de Niterói, figuras de gente ultrapassada, reacionária e retrograda. Nesse caso, é liberdade de expressão, é sátira. Mas a frase “onde super abundou o pecado” tem conotação de ódio, violência aos povos tradicionais, passível de nota de repúdio.

    Esse duplo sentido, na valoração dos fatos, que vem norteando a sociedade brasileira precisa ser questionado e reavaliado. Nós cristãos temos direito de fazer citações da nossa expressão de fé, sem ódio, violência, e sem violação da lei penal, o que no caso do pastor, não se vislumbra quaisquer conduta com tipificação penal. Iremos resistir a essa cultura de cancelamento de direito de fala, fomentada pela esquerda brasileira. Uma sociedade genuinamente democrática e livre, há pluralismo de ideias, comportando cosmovisões de mundo diferente, onde os indivíduos podem falar expressar suas convicções, sem que isso seja configurado como ofensa. A Ilha, como todo lugar, inclusive na minha própria vida, necessita da graça e da luz do evangelho, há quem pense diferente, e está tudo bem.

    Meu carinho, amor e respeito aos moradores da Ilha do Massangano, e tenho certeza de que as falas do pastor não visa ofende-los ou humilha-los. Mas em uma sociedade progressista até as falas de Jesus, em João 8: 44, in verbis: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira”, podem ser vistas como diabofobia.

    Jean Lima

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