Após denúncia, novos relatos de bullying surgem contra escola privada em Juazeiro: “Não havia empatia, nem colaboração”

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Após uma mãe tornar pública a situação enfrentada pela filha, que, segundo ela, estaria sofrendo bullying e episódios recorrentes de violência dentro da Escola Adventista, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, novos relatos chegaram ao Portal Preto no Branco. Uma mãe contou que o filho, diagnosticado com TDAH, teria enfrentado dificuldades durante o período em que estudou na unidade.

“Meu filho estudou por um bom tempo em uma escola que se dizia ser cristã, com valores diferentes. Mas toda vez que ele chegava em casa, eu via o brilho dos olhos dele se apagar diante da exclusão e do descaso. Para muitos, o TDAH é só uma sigla, mas exige paciência e estratégias de ensino. Meu filho foi vítima de bullying, de brincadeiras camufladas e de invisibilidade. Ele não tinha colegas, era isolado. Os alunos se recusavam a fazer trabalhos com ele e a escola não intervinha”, relatou.

A mãe também disse ter presenciado situações envolvendo outros estudantes. “Vi alunos autistas na mesma sala que também sofriam bullying. A escola, que deveria acolher, não acolhia. Não havia empatia, nem colaboração”, completou.

Ela afirma que decidiu retirar o filho da instituição após perceber os impactos emocionais.

“Ele não via a hora de sair. Hoje está em outra escola, onde é respeitado. Educação não é só conteúdo, é formar seres humanos”, destacou.

O filho da mulher, ex-aluno da escola, reforçou a denúncia e relatou ter vivido situações semelhantes, incluindo agressões físicas e verbais.

“Eu não vou esconder o que vivi, porque isso também faz parte da minha história. No colégio Adventista, eu enfrentei algo que ninguém deveria passar: o bullying constante, diário, pesado. Não foi algo isolado, foram palavras que machucavam, risadas que diminuíam, atitudes que feriam. Eu reconheço que não fui perfeito. Eu errei, tive atitudes que talvez não foram as melhores, e tive a humildade de pedir perdão. Pedi perdão a cada um, tentei consertar o que estava ao meu alcance. Mas, mesmo assim, não houve perdão vindo deles. Pelo contrário, parecia que a cada dia a ferida era aberta de novo, mais profunda, como se insistisse em me machucar ainda mais”, afirmou.

O ex-aluno também relatou episódios de discriminação relacionados ao TDAH e à sua forma de se expressar: “Fui humilhado não só pelos alunos, mas também por quem deveria me proteger. Sofri agressões físicas e verbais. Fui julgado pela minha condição de TDAH, como se isso fosse motivo de vergonha. Mexeram com o meu psicológico, com a minha mente, com a minha autoestima. Me fizeram sentir pequeno, insuficiente, errado por ser quem eu sou. E o que mais doeu foi ser zoado pelo meu jeito, por ser mais afeminado. Como se isso fosse motivo para me diminuir, para tentar apagar quem eu sou.”, declarou.

Outro ponto destacado foi a atuação da coordenação escolar: “Aquilo não foi brincadeira, aquilo destruiu partes de mim, abalou minha mente e deixou marcas que não são fáceis de apagar. Também é difícil não falar sobre a falta de firmeza de quem estava à frente. A coordenação, muitas vezes, não teve a dureza necessária diante das situações. Em vários momentos, parecia haver mais compreensão e crédito para certos alunos, especialmente aqueles que eram filhos de professores ou que tinham melhores condições, enquanto outros, como eu, não recebiam o mesmo olhar, a mesma atenção, a mesma justiça. Isso aumentava ainda mais a sensação de injustiça e abandono”, afirmou.

Apesar das experiências negativas, ele disse seguir tentando superar os traumas.

“Mesmo com tudo isso, eu continuo aqui. Porque, apesar de toda a dor, eu não sou definido pelo que fizeram comigo, e sim pela força que encontrei para continuar. E existe algo que eu carrego comigo, uma verdade que ninguém pode tirar: “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mateus 5:4) Essa promessa me lembra que a dor não é o fim da história. Que Deus vê cada lágrima, cada injustiça, cada momento em que fui ferido”, concluiu.

Estamos encaminhando os relatos para a gestão da Escola Adventista em busca de um posicionamento da instituição.

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Redação PNB 

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