Um morador de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, usuário do Sistema Único de Saúde, entrou em contato com o Portal Preto no Branco para relatar a demora na realização de exames e consultas com especialistas na rede pública do município. Segundo ele, apesar da estrutura de saúde disponível na cidade, o acesso aos serviços tem sido marcado por longas esperas.
“A espera por exames e consultas especializadas não é apenas longa, é, muitas vezes, desumana. E olha que Petrolina conta com uma policlínica municipal, um hospital municipal, que só funciona para atendimento específico e apenas na parte da manhã e tarde, a UPA 24 horas, policlínica da UNIVASF, uma Unidade Pernambucana de Atenção Especializada (UPAE) e um hospital universitário, e, ainda assim, a assistência à saúde é um caos”, disse.
Segundo ele, no dia 3 de fevereiro, foi atendido em uma Unidade Básica de Saúde, onde recebeu guias para exames e encaminhamentos para especialistas. No entanto, mais de dois meses após o atendimento, ele afirma que ainda não conseguiu realizar nenhum dos procedimentos.
“Fui atendido na UBS Ricardo Soares Coelho, no Cohab Massangano, com queixas de dores no estômago, possivelmente relacionadas à intolerância ao glúten e à lactose, quadro que, inclusive, tem impactado minha saúde mental. Fui bem atendido pela médica, que solicitou exames e me encaminhou para quatro especialistas, a fim de aprofundar o diagnóstico. No entanto, até o momento, nenhuma dessas demandas foi atendida”, relatou.
Segundo ele, ao retornar à unidade de saúde em busca de informações, a única resposta recebida foi a falta de vagas.
“Recentemente, retornei à UBS para buscar informações e fui mal atendido, como se não fosse meu direito saber quando realizarei meus procedimentos. Fui informado apenas que ‘não há vagas’ e que o atendimento ocorrerá ‘quando abrir vaga ou quando houver contratação do especialista’”, contou.
O paciente também revelou que identificou no sistema um encaminhamento antigo que nunca foi atendido.
“Sigo sem qualquer previsão para a realização dos exames e das consultas. Para agravar a situação, descobri que há no sistema um encaminhamento antigo para fisioterapeuta, feito há anos, que nunca foi atendido, o que mostra que a fila, ao que parece, não avança”.
Além da reclamação sobre a saúde, o morador também questionou a atuação da Câmara Municipal diante das demandas da população.
“Recentemente, alguns vereadores e vereadoras de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, realizaram duas homenagens a políticos, concedendo a eles a Medalha Dom Malan e o Título de Cidadão Petrolinense. Ao ver notícias sobre essas cerimônias, fiquei me perguntando se essa tem sido, de fato, a principal função do Legislativo municipal. Faço esse questionamento porque, na prática, não se percebe uma atuação constante desses parlamentares na fiscalização de obras, na qualidade do atendimento à saúde pública ou em demandas básicas, como pavimentação e saneamento”.
Ele também destacou que a situação vivida por ele reflete uma realidade coletiva enfrentada por outros usuários do SUS no município.
“Quantas pessoas estão, neste exato momento, aguardando por exames e consultas que nunca chegam? Quantas convivem com dores, incertezas e agravamento de seus quadros por falta de acesso ao básico? Diante disso, volto à pergunta: qual é o papel dos vereadores e vereadoras frente a essa realidade? Onde está a fiscalização do serviço público? Onde estão as respostas para a população que depende exclusivamente do SUS?”, questionou.
Encaminhamos o caso para a Prefeitura de Petrolina e aguardamos uma resposta.
Redação PNB



