Moradores do distrito de Abóbora, em Juazeiro, no norte da Bahia, entraram em contato com o Portal Preto no Branco para relatar problemas com as interrupções dos descontos automáticos que eram realizados diretamente das contas dos usuários após o fechamento da agência do Banco Bradesco no distrito de Pilar, em Jaguarari. Segundo eles, a unidade bancária encerrou as atividades em outubro de 2024 sem comunicar adequadamente os usuários e transferiu automaticamente os correntistas para a agência de Uauá, sem fornecer suporte aos usuários.
Os usuários relataram que com a mudança, diversos pagamentos deixaram de ser efetuados sem que os clientes fossem informados. Muitos só descobriram a situação após se deslocarem até a agência em Uauá, acompanhados de um advogado, para buscar esclarecimentos.
“Fomos pegos de surpresa. Um dos aposentados descobriu uma dívida de aproximadamente R$ 1.700,00, referente exclusivamente a tarifas de manutenção de conta corrente acumuladas ao longo do tempo. Outro foi surpreendido com um débito de cerca de R$ 4.700,00, oriundo de um empréstimo pessoal que ele acreditava estar sendo descontado automaticamente do benefício na Caixa”, relatou.
Parte dos afetados afirma nunca ter sido informada sobre a continuidade das obrigações financeiras. Outros dizem que receberam ligações telefônicas, mas muitos idosos da região não possuem acesso efetivo à tecnologia ou à internet.
Um dos casos já foi levado à Justiça, que reconheceu a falha na prestação de serviço por parte do banco.
“O juiz entendeu que houve erro do banco e anulou as cobranças, além de determinar a devolução dos valores”, explicou.
Eles relataram sobre a falta de comunicação sobre o encerramento da agência e a transferência dos correntistas.
“Quando a gente soube, já estava tudo fechado. Ninguém explicou nada pra gente. Antes era tudo resolvido em Pilar, que é perto. Agora, pra ir até Uauá, a gente nem tem transporte. Fica complicado”, afirmou outro morador.
Sem acesso facilitado aos serviços bancários, aposentados e pensionistas relatam dificuldades para acompanhar contas e resolver pendências.
“Para ir para Uauá daqui, só se tiver transporte próprio ou fretar um. A gente tem dois ônibus por dia para Juazeiro. Era muito mais fácil ter transferido para lá. Essa mudança não fez sentido nenhum pra nossa realidade”, criticou uma moradora.
Os demais usuários seguem cobrando soluções.
“A gente só quer ter acesso ao nosso dinheiro e não ser prejudicado”, disse um dos moradores.
Redação PNB



