Meningite bacteriana: Saiba mais sobre vacina, sintomas e tipos da doença

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A morte por meningite bacteriana registrada em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, trouxe questionamentos de leitores do Portal Preto no Branco sobre suas formas de transmissão e prevenção, especialmente em relação à disponibilidade de vacinas no Sistema Único de Saúde (SUS).

A adolescente Aylla Lorrany, de 13 anos, vítima de meningite bacteriana, estava internada na Unidade Pediátrica de Juazeiro e chegou a ser transferida para o Hospital Dom Malan, em Petrolina, mas não resistiu após sofrer uma parada cardíaca.

“Meningite é uma doença grave, que quando não mata deixa sequelas, até quando vamos agir como se essa doença não existisse?”, questionou uma leitora.

“A adolescente estava dentro do público alvo de vacinação contra a ACWY, ela chegou a ter acesso à vacina?” questionou um leitor nas redes sociais.

A doença

A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por vírus, fungos ou bactérias. A forma bacteriana pode evoluir rapidamente e levar o paciente a óbito.

Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas mais frequentes incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem ser irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e moleira estufada (fontanela abaulada).

O Ministério da Saúde alerta para sintomas mais graves que exigem atendimento médico imediato, como confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele.

As meningites bacterianas e virais são geralmente transmitidas de pessoa para pessoa por contato próximo, por meio de gotículas respiratórias. Os agentes causadores da doença também podem ser transmitidos por via fecal-oral ou por meio de água ou alimentos contaminados. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para aumentar as chances de sobrevivência.

No caso de Aylla, a Secretaria de Saúde de Juazeiro informou que a infecção não era do tipo transmissível, ou seja, não exigia medidas preventivas para pessoas próximas. Isso acontece porque nem todas as bactérias causadoras da doença são transmitidas de pessoa para pessoa.

Vacinas

Apesar disso, uma das principais formas de prevenção da meningite bacteriana é a vacinação. No Brasil, o SUS oferece gratuitamente algumas vacinas, como a BCG, que protege contra formas graves da tuberculose, incluindo a meningite; a pneumocócica, que previne doenças invasivas, incluindo meningite; a pentavalente, que protege contra o Haemophilus influenzae tipo b; a meningocócica C, que protege contra o meningococo do sorogrupo C; e a meningocócica ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y.

Apesar das vacinas disponíveis na rede pública, a vacina contra a meningite do tipo B, imunizante contra o sorogrupo mais frequente da doença meningocócica no país, não está disponível no SUS, sendo acessível apenas na rede privada. Cada dose custa, em média, entre R$ 600 e R$ 750. Como o esquema inclui duas a três aplicações no primeiro ano de vida, além de reforço, o valor total pode ultrapassar R$ 2 mil.

No último dia 17, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao SUS a vacina contra meningite do tipo B para crianças menores de 1 ano. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que  A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS (Conitec) emite parecer desfavorável quando o produto analisado não atende a critérios mínimos, como a capacidade de oferta a todo o público-alvo e um preço sustentável para a saúde pública. Toda a análise é feita com base nas evidências científicas mais recentes.

No caso da vacina meningocócica B, o quantitativo disponível atenderia apenas 15% da demanda nacional e o custo apresentado para a sua oferta ultrapassaria R$ 5,5 bilhões em cinco anos. Por ano, são investidos R$ 8 bilhões na oferta de mais de 30 vacinas gratuitamente pelo SUS. Essa vacina custaria quatro vezes mais que a média atual por imunizante e não conseguiria atender a todas as crianças menores de 1 ano.

Qualquer mudança de cenário, como aumento da produção e redução do preço por parte da empresa, permite que uma nova análise seja feita.”

Redação PNB

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