Acolhimento, conforto e força na dor mais extrema que uma mãe pode sentir. De mãe para mãe. Elas que devolveram seus filhos quando foram surpreendidas pela “indesejada das gentes”, sem aviso, contrariando a roda do tempo. Inominável dor. Dilacerante dor. Impensável dor a de ter que enterrar aquele a quem deu a luz.
Vilomah, um termo do sânscrito que significa “contra a ordem natural” utilizado para descrever um pai ou mãe que perdeu um filho, pretende nomear a experiência do luto, ajudando a validar uma dor que nas mulheres é ainda mais intensa. Elas não podem vestir o manto do sofrimento por muito tempo e nem também refazer-se do luto em menos tempo. São julgadas até na dor.
“Mães de Anjos“
Em Juazeiro, norte da Bahia, o grupo “Mães de Anjos” nasceu do sentimento de compartilhar o luto, de entender o luto, de viver o luto e de superá-lo, sem pressões, julgamentos, respeitando o tempo de cada uma. A luta solitária é transformada em luta coletiva. E, neste berço amoroso, elas vão se fortalecendo.
O grupo nasceu em 2016, através de um grupo de Whats App, que atualmente conta com 50 participantes.
“O grupo foi criado em maio de 2016 por Mara Cristina e Jamile. Elas tinham devolvido seus anjos e faziam parte de um outro grupo de mães que tinham filhos com câncer. Resolveram criar o grupo para se ajudarem mutuamente. Hoje, nossa irmandade transforma o luto em solidariedade, oferecendo conforto e compartilhando experiências entre mulheres que passaram pela mesma situação Nós, mães de anjos, nos ajudamos a transformar a dor da perda em auxílio mútuo e conforto. Também compreendemos e respeitados o tempo de cada uma, mas presentes e atentas a dor de cada uma”, disse Lúcia Souza, uma das fundadoras do grupo.
Atualmente o grupo possui um registro legal como Associação Anjos do Vale do São Francisco, que também desenvolve ações sociais, distribuindo alimentos para pessoas em situação de rua, em porta de hospitais.
“Trabalhamos em prol da caridade. Servimos lanches para pessoas vulneráveis que são servidos mensalmente em homenagem aos Anjos aniversariantes do mês. Também realizamos ações como Dia da mulher, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e no Natal. Nessas ações distribuímos lanches e lembrancinhas adquiridas com recursos próprios e ajuda de amigos”, explicou.
Em nome do grupo, Lúcia tenta sensibilizar o poder público, empresários e profissionais voluntários locais para que adotem a iniciativa. As Mães de Anjos pretendem expandir suas ações e, para isso, precisam de apoio.
“Agora estamos na luta por uma sede para ter acompanhamento jurídico e psicológico para as mães e pais. Precisamos de ajuda do município pra ter um espaço. Lembrando que precisamos de recursos financeiros, mas também de profissionais, como psicólogos, psiquiatras, terapeutas, advogados, que possam prestar assistência voluntária. Esse é o grande sonho de todas”, concluiu.
Redação PNB


