Empresa terceirizada se manifesta sobre contratação apenas de homens para a limpeza pública em Juazeiro

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Após o presidente do Sindilimp/BA, Jamay Damasceno, revelar, em entrevista ao Programa Preto no Branco, na Transrio FM, possíveis casos de discriminação de gênero da empresa Vale Norte nas contratações para serviços de limpeza pública em Juazeiro, no norte da Bahia, a empresa se manifestou.

Em nota enviada ao Portal Preto no Branco, a Vale Norte informou que o processo seletivo realizado pela empresa foi baseado em critérios técnicos, e não de gênero.

Confira o posicionamento da empresa na íntegra:

“A informação não procede. O processo seletivo foi conduzido com análise criteriosa de currículos, levando em consideração o histórico profissional e o conhecimento técnico dos candidatos para a execução dos serviços, inclusive com a disponibilidade para realização de trabalho braçal e utilização de ferramentas como o sacho de jardinagem, pontos que foram devidamente analisados em entrevista.

– O critério utilizado para a contratação foi exclusivamente técnico, com base na experiência e qualificação dos candidatos para o atendimento das demandas dos serviços de limpeza pública.

– Não há, e nunca houve, separação entre varrição e capina como funções distintas por gênero na Vale Norte. Todos os currículos foram analisados igualmente, independentemente do sexo do candidato.

– Foram abertas em torno de 80 vagas neste processo seletivo.

– A Vale Norte não realiza contratações com separação por gênero. As vagas são abertas para ambos os públicos, com foco na tecnicidade dos serviços. Prova disso é que, do total de aproximadamente 1.100 funcionários da empresa, um número expressivo são mulheres, atuando em diferentes frentes de trabalho.

Reiteramos nosso compromisso com a igualdade de oportunidades e a valorização de todos os nossos colaboradores.“

O caso

De acordo com Jamay Damasceno, cerca de 50 trabalhadores foram contratados após a mudança da empresa responsável pelo serviço. Conforme a denúncia, as vagas teriam sido preenchidas exclusivamente por homens para a função de gari, apesar de haver um número significativo de mulheres, chamadas popularmente de margaridas, atuando na varrição urbana.

“Quando a Limpcity saiu, foram demitidos 50 funcionários, e pedimos para que esses trabalhadores fossem indicados para a próxima empresa que entrasse, que foi a Vale Norte. Porém, quando a empresa assumiu, informou que, a princípio, não iria contratar trabalhadoras mulheres, apenas homens. Eles não disseram que não iriam contratar mulheres de forma definitiva, mas afirmaram que isso aconteceria com o tempo. Só que, até o momento, nenhuma foi contratada. A empresa está há pouco mais de um mês no contrato, então pode ser que ainda venham contratar mulheres, mas, inicialmente, elas ficaram de fora. Nós procuramos entender o motivo, mas também não obtivemos resposta”, informou Jamay.

Segundo Eunice, uma das margaridas que integra a diretoria do sindicato, diversas mulheres ficaram desempregadas após o encerramento do contrato com a empresa anterior e aguardavam ser absorvidas pela nova empresa.

O contrato da empresa com o município iniciou em março e tem vigência de um ano, mas até o momento nenhuma trabalhadora foi contratada.

“As margaridas foram demitidas quando a empresa perdeu o contrato. Eu só não fui demitida porque sou diretora do sindicato. Ficou acertado que a nova empresa contrataria as mulheres que ficaram desempregadas, mas até agora isso não aconteceu”, relatou.

Segundo ela, muitas mulheres que atuavam na varrição urbana dependem exclusivamente da renda obtida com o serviço para manter suas casas.

“São mulheres que sustentam suas famílias com esse salário da varrição. Mulheres dedicadas, que trabalham muito bem, e que acabaram ficando de fora. É muito triste, porque nós sabemos a importância que o trabalho tem para a mulher. Até agora não tivemos nenhum retorno sobre contratação das mulheres”, lamentou.

 

Redação PNB

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