Policial que matou colegas em Alagoas não tinha histórico psiquiátrico, diz delegado sobre hipótese de “surto”

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A Polícia Civil de Alagoas afirmou que ainda não há qualquer confirmação oficial de que o policial civil Gildate Goes, de 61 anos, acusado de matar dois colegas de trabalho em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas, na madrugada da quarta-feira (20), tenha sofrido um “surto” no momento do crime.

A possibilidade passou a ser comentada após relatos de que o suspeito apresentava comportamento confuso e falas desconexas após os assassinatos. No entanto, durante coletiva de imprensa realizada pela PC, na tarde da quarta-feira (20), o delegado Sidney Tenório, diretor de homicídios e responsável pelo caso, esclareceu que não existe, até o momento, qualquer laudo ou informação oficial que comprove um quadro psiquiátrico.

“A questão do surto psicológico, é bom deixar claro, a afirmação foi feita em um momento muito inicial. Às vezes, a gente usa coloquialmente: ‘ah, fulano surtou’, mas isso não é oficial. Ainda não há qualquer tipo de informação sobre essa motivação”, esclareceu o delegado.

Segundo o delegado, familiares do policial foram ouvidos pela investigação e negaram que ele tivesse histórico de tratamento psicológico ou psiquiátrico.

“Ouvimos familiares dele de Maceió, que disseram que ele não tem nenhum tipo de tratamento psiquiátrico. Ele também não faz uso de qualquer remédio controlado. Essa é a afirmação da esposa dele”, afirmou Sidney Tenório.

De acordo com o delegado, a Polícia Civil também realizou levantamentos junto ao setor de Recursos Humanos da corporação e não encontrou registros de afastamentos relacionados à saúde mental.

“Fizemos um levantamento junto ao RH. Não há nenhum tipo de pedido de afastamento dele com relação a tratamento psicológico”, completou.

Sidney Tenório também reforçou que a investigação realizou um levantamento sobre o histórico funcional e disciplinar do policial e que, até o momento, não foram encontrados registros de envolvimento em crimes violentos.

“Nós já começamos a ver essa questão do histórico do autor do homicídio. Ele responde a quatro processos administrativos durante mais de 30 anos de carreira, nenhum deles relacionado a homicídio ou crimes violentos contra animal, por exemplo, foi o caso das citações de um parente de uma das vítimas. Existem casos, inclusive, que é uma questão de uma falta de trabalho. Teve uma situação mais grave, que é uma agressão física, mas é a terceiros. Todos os casos foram arquivado a pela corregedoria”, disse.

O delegado acrescentou que também foram feitas consultas nos sistemas policiais antigos e atuais da corporação e que nenhum procedimento criminal contra o agente foi localizado.

“Foi feito um amplo levantamento no sistema policial mais antigo, o chamado CISPOL, e não foi encontrado nenhum procedimento policial contra ele. No novo sistema da Polícia Civil, o PPE, em atividade desde 2018, também não há nenhum procedimento. No ESSAG, igualmente, não consta nenhum registro. Então, essas informações que estão sendo veiculadas, pelo menos nesse primeiro levantamento que realizamos, tanto na esfera judicial quanto administrativa, não tiveram nenhuma situação confirmada pela comissão”, afirmou o delegado.

O crime

O caso aconteceu na madrugada desta quarta-feira (20). O policial civil Gildate Goes, de 61 anos, foi preso acusado de assassinar os colegas Yago Gomes Pereira, de 33 anos, natural de Aracaju (SE), e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, pernambucano. As vítimas morreram após serem atingidas por disparos de arma de fogo na cabeça.

Segundo as primeiras informações divulgadas pelas autoridades, os três retornavam de uma ocorrência em uma viatura oficial e seguiam para a 1ª Delegacia Regional de Delmiro Gouveia, onde atuavam, quando o suspeito, que estava no banco traseiro do veículo, teria efetuado os disparos contra os colegas que ocupavam os bancos dianteiros. Após o crime, ele foi localizado e preso pelas forças de segurança na residência onde morava.

Redação PNB

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