Sessenta e nove ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs foram transferidas para Petrolina, no Sertão de Pernambuco, após uma operação da Polícia Federal em um criadouro localizado no município de Curaçá, no norte da Bahia. A ação que aconteceu nesta quarta-feira (27) integra a segunda fase da Operação Blue Hope e foi motivada pela identificação de casos de circovírus aviário e por supostas irregularidades nos protocolos de biossegurança adotados no local.
Segundo informações divulgadas pela PF e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 34 das 103 ararinhas-azuis mantidas no criadouro testaram positivo para o circovírus, doença considerada grave e altamente contagiosa entre aves da espécie. O vírus provoca deformações no bico e nas penas e, na maioria dos casos, pode levar os animais à morte. Apesar disso, o patógeno não oferece risco para seres humanos nem para aves de produção.
De acordo com as investigações, o criadouro não estaria cumprindo medidas consideradas essenciais para evitar a disseminação do vírus. Entre as irregularidades apontadas pelo ICMBio estão a falta de limpeza e desinfecção diária dos recintos, comedouros com acúmulo de fezes ressecadas e ausência do uso adequado de equipamentos de proteção individual pelos funcionários durante o manejo das aves.
As aves retiradas durante a operação apresentaram resultado negativo para a doença e foram encaminhadas ao Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina. No local, os animais permanecerão em quarentena por tempo indeterminado e passarão por novas avaliações sanitárias. A remoção das aves saudáveis foi realizada como forma de conter o avanço da doença.
O caso passou a ser tratado como emergência sanitária em maio de 2025, após a confirmação do primeiro caso de circovírus em uma ararinha-azul na região. Desde então, o ICMBio implantou um sistema especial de monitoramento para tentar impedir a propagação da doença.
O criadouro Ararinha-Azul, local de onde os animais foram retirados, se manifestou sobre a operação. Em nota, informou que “O criadouro Ararinha-Azul recebeu com perplexidade a ação realizada nesta data pelas autoridades ambientais.
Conforme comunicação oficial encaminhada em 31 de março de 2026 aos órgãos competentes, os exames laboratoriais mais recentes indicaram resultado negativo para circovírus nas aves testadas, tendo sido igualmente informado que todo o plantel apresentava resultados negativos.
Desde o início das medidas de enfrentamento ao circovírus na região, nenhuma ave veio a óbito. Durante todo o período, o criadouro manteve acompanhamento sanitário permanente, com protocolos de biossegurança, manejo e bem-estar animal, estrutura adequada e equipe técnica especializada.
O criadouro também mantinha interlocução técnica contínua com o ICMBio sobre medidas de manejo, biossegurança e bem-estar das aves, tendo iniciado adequações estruturais para permitir o acesso às áreas externas dos recintos, conforme autorização expedida pelo próprio instituto em 9 de março de 2026.
Além disso, nova rodada de testagem do plantel estava oficialmente programada para ter início amanhã, com participação confirmada das autoridades competentes.
Autoridades alemãs também já haviam realizado exames prévios nas aves antes de seu envio ao Brasil, e avaliações laboratoriais recentes confirmaram a ausência do vírus na origem.
As medidas adotadas nesta data ocorreram sem a necessária interlocução institucional e produziram grave impacto sobre a continuidade do programa.
A insegurança gerada afugentou patrocinadores e apoiadores financeiros, que comunicaram a impossibilidade de manter o suporte econômico necessário às atividades do criadouro.
Esse cenário compromete diretamente a continuidade operacional do programa de conservação conduzido pela instituição.
O criadouro Ararinha-Azul reafirma seu compromisso com a biossegurança, a transparência técnica, a saúde das aves e a preservação da espécie, colocando-se à disposição para colaborar com as autoridades competentes na condução responsável das medidas necessárias.”
Redação PNB



