Taynara Rodrigues, uma mãe atípica de duas crianças entrou em contato com o Portal Preto no Branco para relatar problemas no atendimento com uma neuropediatra na Policlínica Municipal de Juazeiro, no norte da Bahia. Segundo o relato, ela passou horas aguardando atendimento para os filhos e diz ter se sentido humilhada durante a consulta realizada na unidade de saúde.
“Levei meus dois filhos pra policlínica e cheguei lá às 7h da manhã. Fiquei até 12h e alguns minutos esperando a doutora chegar. Meus filhos ficaram agoniados, chorando e sem paciência por esperar tanto tempo. O pessoal da policlínica ligava pra ela e ela dizia que estava chegando. Quando finalmente chegou, meus filhos foram os primeiros a serem atendidos”, contou.
Taynara afirma que esperava um atendimento mais acolhedor por se tratar de uma especialista em neuropediatria, mas diz ter saído frustrada da consulta.
“Ela entrou na sala já transtornada. Meus filhos estavam agoniados e ela não teve paciência para conversar com eles e nem dar uma atenção maior, como uma neuropediatra deveria fazer”, desabafou.
A mãe relata ainda que a médica apenas analisou os relatórios apresentados, emitiu o laudo e encerrou rapidamente o atendimento.
“Ela simplesmente olhou o relatório, deu o laudo, abriu a porta, mandou a gente sair, e fechou. Eu saí decepcionada e constrangida, porque esperei tanto para conseguir essa consulta e pensei que ela fosse diferente, que fosse conversar com meus filhos e dar atenção pra eles. Pelo contrário, me senti humilhada”, disse.
A mãe se queixou ainda da falta de informações claras, conforme prevê o direito do paciente: “Ela nem explicou o que meus filhos tinham. Só fui ver o laudo quando cheguei em casa. O laudo estava feito de qualquer jeito, sem nem ter data. Pensei que era uma consulta, mas foi apenas a entrega de um laudo”, declarou.
Taynara relatou que registrou uma denúncia na ouvidoria do município e cobrou providências do poder público municipal: “Espero que depois disso a prefeitura tome providências e tome atitudes sobre essa médica”, apelou.
Outras queixas
“Lá no CAPS só se vê mães reclamando desta médica. Muitas dizem que ela só atende as pessoas com dignidade no particular”, afirmou.
Outras mães, através dos meios digitais do PNB, também relataram experiências semelhantes envolvendo o atendimento da neuropediatra na rede municipal.
“A neuropediatra que atende na policlínica realiza atendimentos péssimos, chega a traumatizar os pais que entram angustiados em busca de um atendimento adequado. Consultas de pouquíssimos minutos pra avaliar algo delicado, colocações inapropriadas para uma profissional da saúde, sendo capacitista até”, relatou uma mãe.
“Ela receita medicamentos e na consulta seguinte já modifica dosagem e medicamento alegando um erro sendo que ela mesma receitou, minimiza as queixas e questões levadas pelos pais dos pacientes, dificultando um diagnóstico adequado, sem contar na arrogância e falta de humanidade quando atende”, afirmou outra.
Em outro relato, uma mãe contou que precisou recorrer a uma consulta particular para conseguir um diagnóstico preciso para o filho.
“Consultei meu filho com ela na policlínica e ela já foi passando medicação, sem fazer uma avaliação. Pra poder dar o diagnóstico correto, tive que pagar uma consulta com uma neuropediatra particular e meu filho foi diagnosticado como autista e TDAH”, disse.
Também houve relatos de falas consideradas inadequadas durante os atendimentos.
“Ela soltou que meu filho tinha crises para ‘chamar a atenção’, que era só cena. Isso numa consulta de 5 minutos. Ainda soltou que se tivesse alguma coisa era um TDAH ‘fraquinho’, declarou outra mãe.
Uma quarta mãe também afirmou ter se sentido mal atendida pela profissional e criticou a duração da consulta.
“Fez a consulta do meu filho em 5 minutos, sequer olhou para nós, falou umas coisas absurdas e dispensou”, relatou.
Encaminhamos os relatos para a Secretaria de Saúde de Juazeiro.
Em nota, o órgão informou que “será instaurado um processo administrativo para apurar, com a devida responsabilidade e transparência, as informações apresentadas. A gestão municipal reforça que tratará a situação com integral seriedade, comprometimento e respeito aos princípios que regem a administração pública, adotando todas as medidas necessárias após a devida análise dos fatos. A Sesau permanece à disposição para prestar os esclarecimentos, reafirmando seu compromisso com a ética, a legalidade e a qualidade dos serviços de saúde ofertados à população.
Redação PNB



