Um trabalhador de Juazeiro, no norte da Bahia, entrou em contato com a redação do PNB, para reclamar das dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência e segurados que buscam benefícios junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo ele, mesmo apresentando diversos laudos médicos que comprovam incapacidade para o trabalho, o benefício foi negado pelo órgão.
Ele contou que sofreu um acidente e passou a conviver com dores constantes, inchaço e limitações físicas.
“O meu laudo, desde quando sofri meu acidente, é assinado pelo doutor Roberto, que é um dos melhores ortopedistas do Brasil. Tenho um laudo também do Hospital Traumas, em Petrolina, onde fiz minha cirurgia. Sem contar também com os laudos dos ortopedistas do Hospital Regional. Meu braço incha, dói, meus punhos foram quebrados. Sinto muita dor e no laudo consta que não tem cura. Como é que esses laudos são negados pelo INSS? Isso chega a ser um absurdo, chega a ser ridículo”, disse.
O trabalhador criticou os critérios utilizados nas perícias médicas e relatou que muitos segurados entram nas agências inseguros e saem frustrados após terem os pedidos negados.
“O INSS parece um campo de concentração. Você entra lá e não sabe se vai ser aprovado. Você entra nervoso, sendo que aquilo é um direito seu, porque você contribui. A porta é batida na sua cara e isso é uma grande decepção. Se um médico lhe dá um laudo atestando sua deficiência, sua incapacidade de trabalho, parece que aquilo não serve para nada. Então vamos fazer previdência privada, porque a pública não funciona”, afirmou.
O trabalhador também citou o caso de um amigo que, segundo ele, nasceu com deficiência em um dos pés e teve a situação agravada após um acidente de moto.
“O meu amigo já nasceu com uma deficiência. O peito do pé dele é virado para o chão e a sola para cima. Ele já tinha dificuldade para andar. Depois sofreu um acidente de moto, quebrou a perna boa, colocou parafusos e ficou com as duas pernas comprometidas. Mesmo assim, o INSS negou a aposentadoria e o benefício que ele tem direito”, contou.
Diante da situação, o homem afirmou que está mobilizando pessoas para realizar uma manifestação em frente à agência do INSS de Juazeiro, localizada na Avenida Adolfo Viana.
“Estou fazendo movimentações para chamar as pessoas com deficiências físicas, mães e pais de crianças PCDs, neurodivergentes e pessoas que tiveram benefícios cortados ou negados pelo INSS. A gente precisa fazer essa manifestação para ver se o povo acorda. Espero conseguir mobilizar muita gente. Ou nós vamos ser atendidos, ou vamos ser ouvidos pela imprensa. Não dá mais para aceitar essa humilhação”, concluiu.
Outro caso
Na segunda-feira (26), outro morador de Juazeiro, reclamou do atendimento recebido durante uma perícia médica realizada no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do município. Segundo ele, o pedido relacionado ao auxílio por incapacidade temporária previdenciária para mobilidade reduzida foi negado, apesar dos diversos laudos e exames médicos apresentados.
“Sou PCD e tenho, inclusive, o símbolo PCD registrado no meu RG/CIN. Tenho gonartrose irreversível nos dois joelhos, além de sérios problemas no calcanhar e no tornozelo. Fui para a perícia munido de atestados médicos, receitas, RX dos joelhos, RX do pé e ultrassom. O médico sequer olhou os documentos”, afirmou.
Segundo ele, o atendimento durou pouco mais de quatro minutos e, durante a consulta, o perito questionou apenas se ele estava trabalhando.
“Ele perguntou se eu estava trabalhando e eu respondi que sim. Aí ele falou, de pronto, que a perícia era para quem não estava trabalhando e passava ali para não ficar sem receber. Meu joelho estava inchado, meu tornozelo inchado, eu com dores, levando o documentos de vários especialistas, e nada adiantou. Em quatro minutos ele disse que estou apto”, disse.
O trabalhador explicou que atua em funções que exigem esforço físico constante.
“Minha função requer subir em torres de telecomunicações, subir em poste, percorrer trecho em terreno irregular, subir escada e carregar peso. Há tempos não aguento realizar minhas funções de maneira devida por conta da minha condição de saúde”, contou.
Ele também afirmou possuir um rompimento de tendão, mas disse que o médico alegou não identificar problemas que justificassem o benefício.
“Estou com um rompimento no tendão e o médico disse que não viu nada errado e que estou apto para as funções”, relatou.
Indignado com o resultado da perícia, o morador afirmou que pretende recorrer judicialmente da decisão.
“Tenho todos os laudos, dois anos de tratamento documentado, e só o dele tem razão? Meu advogado vai acionar judicialmente e solicitar uma perícia independente”, concluiu.
Redação PNB



