Pais e responsáveis por alunos atendidos pelo transporte escolar da Escola Promenor, localizada no bairro Alto do Cruzeiro, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, procuraram o Portal Preto no Branco para questionar a transferência de um motorista que, segundo eles, atuava há cerca de dois anos na rota da unidade escolar. De acordo com os relatos, a mudança ocorreu sem comunicação prévia à comunidade escolar, aos pais e até mesmo ao próprio motorista.
“A mudança aconteceu sem qualquer aviso prévio aos pais, à comunidade escolar, à gestão da escola e, segundo o próprio motorista, sem que ele também tivesse sido informado antecipadamente. Na manhã em que deveria iniciar sua rotina normalmente, foi surpreendido com a informação de que havia sido transferido para outra rota e outra unidade escolar”, relataram.
Os responsáveis afirmam que o profissional construiu uma relação de confiança com os estudantes e suas famílias durante o período em que esteve à frente do transporte.
“O que mais causa revolta é que não estamos falando apenas de um funcionário que conduzia um veículo. Estamos falando de um profissional que conquistou a confiança das famílias através de atitudes que demonstravam cuidado genuíno com as crianças. Em uma sociedade onde muitas crianças enfrentam a ausência de referências paternas, ele se tornou uma figura de respeito, proteção e exemplo para muitos alunos. Em diversas ocasiões, ele demonstrou compromisso além do esperado. Durante fortes chuvas, preocupou-se em garantir que as crianças chegassem em segurança às suas casas. Recentemente, diante de uma situação de emergência envolvendo uma aluna que desmaiou e apresentava sinais preocupantes, ele não cruzou os braços. Sem conseguir contato imediato com os responsáveis e diante da urgência da situação, tomou a decisão de prestar socorro e encaminhar a criança para atendimento médico. Para nós, isso demonstrou responsabilidade, humanidade e preocupação com a vida”, disseram.
Ainda segundo os familiares, a saída do motorista tem provocado tristeza entre os estudantes.
“Hoje vemos crianças chorando, tristes, desmotivadas e sem entender por que uma pessoa tão importante para sua rotina foi retirada de forma tão brusca. Muitos pais também estão revoltados e decepcionados com a falta de transparência em todo esse processo”, relataram.
Os responsáveis informaram ainda que receberam a justificativa de que a alteração teria ocorrido por conta de um suposto rodízio de motoristas, mas questionam a medida.
“Foi informado que a mudança teria ocorrido por conta de um suposto rodízio de motoristas. No entanto, até o momento, o único motorista substituído foi justamente aquele que possuía uma relação de confiança consolidada com as famílias, levantando questionamentos legítimos sobre os verdadeiros motivos da decisão”, disseram.
Diante da situação, os pais cobram explicações dos órgãos responsáveis e defendem o retorno do profissional.
“Um profissional que demonstrou compromisso, respeito, empatia e responsabilidade não deveria ser penalizado por agir de forma humana e colocar a segurança das crianças em primeiro lugar. Nós não queremos apenas explicações. Queremos o retorno do motorista à sua rota original. Queremos que a Secretaria de Educação, a empresa responsável pelo transporte escolar e os órgãos competentes analisem com atenção o impacto dessa decisão sobre as crianças e suas famílias”, reivindicaram.
Os familiares informaram ainda que um abaixo-assinado já foi iniciado para reunir apoio à causa.
“Nosso pedido é claro: queremos transparência sobre os motivos da transferência e queremos que o motorista retorne à rota onde construiu, ao longo de dois anos, uma relação de confiança com alunos, pais e comunidade escolar. As crianças merecem ser ouvidas. Os pais merecem respeito. E os bons profissionais merecem reconhecimento”, concluíram.
O Portal Preto no Branco encaminhou a reclamação para a Prefeitura de Juazeiro e para a Secretaria de Educação . Em nota, a SEDUC informou que “o transporte escolar da rede municipal funciona por meio de um sistema misto, composto por veículos próprios do município e por veículos operados por empresa contratada por meio de processo licitatório. No caso citado, o serviço de transporte dos estudantes é executado pela empresa terceirizada, que possui a responsabilidade de cumprir as rotas contratadas e de realizar a gestão de seus profissionais, incluindo a escalação dos motoristas, observando todos os requisitos legais e normativos exigidos para a prestação do serviço de transporte escolar. Dessa forma, não compete à Seduc a definição ou gestão das escalas de trabalho dos funcionários da empresa contratada, cabendo à prestadora de serviço organizar sua operação interna para garantir o atendimento das rotas previstas em contrato. A Seduc ressalta que realiza o acompanhamento e a fiscalização contínua da execução do serviço, visando assegurar o cumprimento das obrigações contratuais e a qualidade do transporte ofertado à comunidade escolar. A Secretaria permanece à disposição da população para esclarecimentos, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.”
Redação PNB



