Estudantes de Jornalismo da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro, na região Norte da Bahia, entraram em contato com o Portal Preto no Branco para denunciar que estão vivendo um clima de insegurança, medo e desgaste psicológico após colegas e professores terem sido intimados pela Polícia Civil após o registro de um Boletim de Ocorrência por uma docente. Conforme os relatos, toda a situação teve início durante uma reunião realizada pelo Centro Acadêmico do curso.
“No fim do mês de maio, ocorreu uma reunião solicitada pela representação estudantil para debater questões e propor melhorias para o curso. O ambiente estava 100% ocupado pelos alunos e se tornou um espaço de escuta e fala. Durante esse momento, foram citadas algumas situações de descontentamento em sala de aula envolvendo alguns professores, além de sugestões de melhorias para as aulas, para o curso e para os conteúdos ensinados aos estudantes. Também entre as pautas estava a convocação de uma professora para atuar no curso. A gente recebeu informações de que inicialmente seriam chamados outros docentes, mas no documento encaminhado à Reitoria constava apenas o nome dela. Isso gerou questionamentos entre nós. Conversamos sobre isso, expusemos situações que vivemos e tentamos entender melhor o processo para ter mais transparência”, contam os estudantes.
No entanto, ainda segundo os relatos, cerca de uma semana após a reunião, dois estudantes que participaram do encontro foram surpreendidos com intimações para comparecer à Delegacia de Polícia Civil de Juazeiro.
“Dois alunos que estavam presentes na reunião receberam uma intimação da Polícia Civil para serem ouvidos, pois estavam sendo acusados de calúnia envolvendo o nome dessa professora, sem que quaisquer provas fossem apresentadas. Os alunos tiveram que se deslocar até a delegacia e permanecer cerca de duas horas no local aguardando para serem ouvidos, até que um dos delegados informou que isso não aconteceria, pois a professora responsável pela intimação apenas havia citado os nomes deles, mas não os havia acusado formalmente de nada”, relatam
A situação, segundo os estudantes, causou grande repercussão dentro da universidade.
“Essa situação gerou um enorme constrangimento, causando desconforto ao chegarem à universidade, fazendo com que os alunos pensassem até mesmo em trancar o curso e afetando significativamente o psicológico deles. Hoje, a gente chega na universidade se perguntando até que ponto pode falar sem sofrer consequências. Teve aluno do Centro Acadêmico que foi aconselhado pela própria família a deixar a representação estudantil por medo da situação. A gente está exausto emocionalmente”, acrescentam.
O clima de apreensão se intensificou após novos episódios registrados nesta semana.
“Na quarta-feira (17), uma viatura da Polícia Civil retirou um professor de dentro da sala de aula para entregar uma intimação, alegando a mesma situação e envolvendo a mesma professora, tudo isso na frente de todos os seus alunos, gerando uma situação vexatória. Outro professor recebeu a intimação na portaria do seu condomínio, o que também gerou constrangimento. O que mais assusta é não saber até onde isso pode ir. Os professores estão com medo. Os estudantes também. A gente fica pensando quem será a próxima pessoa intimada. Não sabemos se aquela reunião foi gravada, se alguém repassou informações ou até onde isso pode chegar. A sensação é de que estamos sendo coagidos por exercer nosso direito de questionar e participar das discussões sobre o curso”, afirmam.
Os estudantes afirmam ainda que a direção da universidade foi comunicada sobre o caso e tentou promover uma reunião para esclarecimentos, mas não houve avanço.
“A universidade foi notificada e tentou marcar uma reunião com a professora, mas ela respondeu que não participaria se a reunião tivesse caráter de intimação. Desde então, nada foi feito internamente”, disseram.
Os estudantes cobram um posicionamento da Reitoria da UNEB.
“Fazemos um apelo ao corpo estudantil, pois isso afeta todo o movimento e não apenas os alunos, à Reitoria da UNEB e à representação estudantil, que também está assustada com toda essa situação. É necessário que medidas sejam tomadas para garantir que a universidade continue sendo um espaço seguro de diálogo, escuta e construção coletiva, sem que estudantes e professores se sintam intimidados ao exercerem seu direito à fala”, finalizam.
Encaminhamos os relatos dos estudantes para da Reitoria da UNEB e para Polícia Civil da Bahia em busca de esclarecimentos sobre o caso.
Redação PNB



