“Não houve nenhuma ação no MP-BA e Ibama proibindo a aplicação”, esclarece secretário sobre uso da cal no combate às muriçocas em Juazeiro

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Após meses de forte infestação de muriçocas em diversos bairros de Juazeiro, Norte da Bahia, a gestão municipal voltou a adotar a técnica do uso da cal, já utilizada anteriormente, para combater os insetos.

Durante a gestão anterior, o uso da cal chegou a ser interrompido após a circulação de informações de que órgãos ambientais e o Ministério Público teriam proibido a prática. No entanto, segundo apuração do Portal Preto no Branco à época e reafirmada agora pela atual gestão, não existe qualquer decisão formal do MP-BA ou de órgãos como o Ibama proibindo o uso da cal para esse fim.

De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente não há impedimentos legais para a aplicação do produto.

“Buscamos o MP-BA e o Ibama e constatamos que não houve nenhuma ação anterior neste sentido. Trata-se de um técnica simples e que tem efeito direto nas larvas. A utilização da cal no controle de mosquitos não é uma prática inédita. Estudos e experiências no Brasil indicam que a substância é eficaz no combate às larvas. Iniciamos a aplicação de forma controlada e em quantidades adequadas. Essa medida atende a um pedido da população por uma ação mais eficaz e rápida de combate ao mosquito”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Cláudio Leal.

O gestor da pasta disse ainda que “outro fator que contribui para a adoção da cal é o custo reduzido e a facilidade de aplicação, especialmente em locais de difícil drenagem, como os canais que cortam a cidade”.

O retorno da cal às medidas de combate às muriçocas em Juazeiro ocorre em meio à pressão popular por soluções rápidas diante da infestação. Embora a técnica apresente resultados práticos no curto prazo, ações como limpeza urbana, drenagem adequada e revitalização dos canais, além da conscientização da população continuam sendo as estratégias mais eficazes e sustentáveis no longo prazo.

Uso da cal

Pesquisas conduzidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) mostram que a mistura de cal e cloro é capaz de eliminar larvas de mosquitos em ambientes com água parada, sendo considerada uma solução “simples e eficaz” no controle do vetor. Além disso, especialistas apontam que essa combinação atua alterando o pH da água, criando um ambiente hostil para o desenvolvimento das larvas.

De acordo com especialistas, esse tipo de solução é útil principalmente em pontos onde não é possível eliminar completamente os criadouros. A cal atua como um agente químico que impede a proliferação dos insetos, funcionando como medida complementar às ações tradicionais de limpeza urbana .

Especialistas, contudo, alertam que qualquer intervenção química em ambientes urbanos deve seguir critérios técnicos para evitar impactos no solo, na água e em outros organismos.

Redação PNB

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