Moradores de Pilar, em Jaguarari, e de Massaroca, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, realizaram neste sábado (27) um manifesto pacífico para cobrar providências diante do crescente número de acidentes causados por animais soltos na rodovia que liga Pilar às comunidades da região. Com faixas, cartazes e pedidos de justiça, os participantes afirmaram que convivem diariamente com o medo de trafegar pela estrada e denunciaram a falta de ações efetivas por parte do poder público.
“A população está cansada de conviver diariamente com o medo. O problema é antigo e é resultado direto da negligência de criadores rurais que mantêm animais soltos às margens das rodovias, somado à omissão dos órgãos públicos de Pilar e Jaguarari, que até hoje não tomaram providências eficazes para garantir a segurança da população”, declarou uma das organizadoras do ato.
Os manifestantes afirmaram que o protesto teve como principal objetivo chamar a atenção das autoridades e da sociedade para uma situação que, segundo eles, já provocou inúmeras tragédias.
“O que estamos pedindo é o mínimo: dignidade no trânsito e respeito à vida. Estamos cansados do abandono. Esse manifesto não é apenas um ato de revolta, é um grito por socorro”, ressaltou uma participante.
Entre as reivindicações apresentadas durante a mobilização estão a instalação de radares de velocidade, o cercamento em todo o perímetro da pista que liga ao Distrito de Pilar, a ampliação da fiscalização, a aplicação de multas aos criadores que deixarem animais soltos e a adoção de melhorias estruturais e medidas preventivas para evitar novos acidentes.
A manifestação também foi marcada por homenagens a vítimas de acidentes envolvendo animais na pista.
“Meu pai, Valdeir, foi vítima fatal de um acidente envolvendo colisão com animal na pista de Pilar. Após os primeiros socorros, ele foi encaminhado para a UPA de Pilar, uma unidade sem estrutura adequada para atender a gravidade do seu estado”, contou.
Ela afirmou ainda que a família solicitou a transferência imediata para uma unidade mais preparada, inclusive de forma particular, mas recebeu a informação de que não havia ambulância adaptada disponível no município.
“Tivemos que esperar cerca de duas horas até a chegada de uma ambulância vinda de Petrolina. Meu pai já estava em estado crítico devido à demora. No momento final, profissionais precisaram retirar equipamentos de dentro da própria ambulância para mantê-lo vivo, porque os aparelhos da sala vermelha da UPA já não funcionavam adequadamente”, disse.
Para os familiares, a morte de Valdeir evidencia problemas que vão além da insegurança nas estradas.
“Ele faleceu vítima não apenas da negligência no trânsito, mas também da negligência hospitalar enfrentada pela população de Pilar. É inadmissível que uma cidade como Jaguarari não disponha de ambulâncias com UTI móvel. É desumano que moradores precisem implorar por atendimento digno enquanto vidas se perdem por falta de estrutura básica”, desabafou.
Os manifestantes reforçaram ainda o pedido para que medidas concretas sejam adotadas com urgência.
“Porque nenhuma vida pode ser tratada com tanto descaso. Queremos ações antes que outras famílias passem pela mesma dor”, concluíram.
Redação PNB



