Sesau esclarece atendimento e nega negligência após morte de criança de 9 anos na Unidade Pediátrica de Juazeiro

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A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) encaminhou ao Portal Preto no Branco uma nota de esclarecimento sobre a morte do menino Arthur Samuel, de 9 anos, ocorrida na noite do último sábado (27), na Unidade Pediátrica de Juazeiro (UPED). O caso ganhou repercussão após a família registrar um boletim de ocorrência e afirmar que houve negligência no atendimento prestado ao menino.

Em nota enviada ao Portal Preto no Branco, a Sesau informou que Arthur deu entrada na unidade em estado grave, após uma crise convulsiva severa, apresentando desorientação, hipotensão, palidez cutânea e evoluindo rapidamente para uma parada cardiorrespiratória.

Segundo a Secretaria, durante o atendimento de emergência, a equipe médica identificou um quadro avançado de broncoaspiração — condição caracterizada pela aspiração de conteúdo para as vias respiratórias, provocando obstrução grave e comprometimento da função pulmonar. A pasta afirma que foram adotados todos os protocolos clínicos previstos para situações de urgência e emergência, com utilização dos recursos disponíveis, mas que a criança não resistiu e morreu em decorrência da broncoaspiração.

A Sesau informou ainda que o caso será submetido aos procedimentos técnicos de avaliação adotados pelo município, incluindo a análise dos registros assistenciais e do prontuário pela Câmara Técnica de Investigação de Óbitos Infantil, conforme previsto para ocorrências dessa natureza.

O que diz a família

Conforme os familiares da criança, Arthur Samuel procurou atendimento na unidade pela manhã, apresentando vômitos e dores abdominais.

“Na manhã do sábado, Arthur foi levado ao hospital apresentando vômitos, dores na barriga. Ele recebeu uma injeção de Benzetacil, foi medicado e liberado para casa. Durante o dia permaneceu em casa, mas, por volta das 18h, voltou a sentir fortes dores na região da boca do estômago e apresentou um episódio que aparentava ser o início de uma convulsão. O pai conseguiu socorrê-lo imediatamente e o levou novamente ao hospital”.

Os parentes relatam que Arthur chegou consciente, falando normalmente, mas foi encaminhado para a sala vermelha, onde chegou a ser intubado.

“Ninguém veio conversar com a família. Até que fomos chamados para receber a notícia de que ele havia falecido. Percebemos que os próprios profissionais divergiam sobre a causa da morte. Primeiro disseram que Arthur chegou ao hospital com broncoaspiração. Depois afirmaram que a broncoaspiração teria ocorrido após a retirada da tubulação da intubação. Até hoje buscamos respostas claras sobre o que aconteceu durante o atendimento”, declarou outro familiar”, relatou.

Diante das dúvidas, a família registrou um boletim de ocorrência e solicitou perícia no Instituto Médico Legal (IML). Os órgãos da criança foram encaminhados para exames em Salvador, que deverão auxiliar na definição da causa da morte.

“Diante da falta de uma explicação objetiva e da demora para emitir a Declaração de Óbito, fomos orientados por um PM a registrar um boletim de ocorrência, caso permanecessem as dúvidas. Como o hospital não emitiu a D.O., solicitamos que o Instituto Médico Legal realizasse a perícia. O corpo foi recolhido pelo IML. Somente após informarmos que registraríamos um boletim de ocorrência e solicitaríamos a perícia foi que houve uma discussão entre os próprios médicos sobre qual causa deveria constar na documentação. Os órgãos de Arthur foram encaminhados para perícia em Salvador. Segundo o médico-legista, essa medida foi adotada para permitir uma conclusão mais precisa sobre a causa da morte. Agora, resta à família aguardar o resultado dos exames.
O que sabemos até o momento é que Arthur entrou no hospital consciente, falando, apresentando vômitos e dores abdominais, e saiu sem vida”, concluíram.

Por fim, a Secretaria Municipal de Saúde manifestou profundo pesar pela morte da criança, prestou solidariedade aos familiares e amigos e reafirmou o compromisso da Prefeitura de Juazeiro com uma assistência pautada na responsabilidade, na qualidade do atendimento e na transparência dos processos, colocando-se à disposição para prestar o acolhimento e o suporte necessários à família.

Redação PNB

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