Um grupo de responsáveis por alunos da Escola Municipal Professora Edualdina Damásio e da EMEI Herbert Mouze Rodrigues, localizadas no distrito do Salitre, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, procuraram o Portal Preto no Branco para manifestar indignação com a exoneração das gestoras das instituições, determinada pela Secretaria de Educação de Juazeiro (Seduc). Conforme os relatos, a decisão foi recebida com surpresa e “não reflete a realidade vivenciada diariamente por pais, mães, responsáveis, estudantes, servidores e demais membros da comunidade escolar”.
“Nós queremos nossas gestoras de volta. Somos nós que acompanhamos de perto o trabalho desenvolvido por essa equipe gestora. Testemunhamos sua dedicação, responsabilidade e compromisso em transformar a escola em um ambiente de aprendizagem, acolhimento, segurança e dignidade para nossos filhos e filhas”, diz um trecho da manifestação.
O grupo também destaca que as profissionais foram escolhidas em eleição democrática, obtendo mais de 80% dos votos da comunidade escolar.
“A comunidade escolar escolheu essa dupla gestora de forma democrática. Diante disso, perguntamos: qual é o valor da gestão democrática, se a decisão da comunidade pode ser desconsiderada sem que seus anseios sejam devidamente considerados?”, questiona.
Sobre as justificativas apresentadas para a exoneração, os responsáveis afirmam que os problemas estruturais da unidade são antigos e independem da atuação da equipe gestora.
“O prédio é antigo, foi construído às margens do Rio Salitre e enfrenta, anualmente, problemas causados pelas inundações. Trata-se de dificuldades estruturais anteriores à atual gestão. Na avaliação da comunidade escolar, a justificativa apresentada pela Seduc, relacionada às condições de limpeza da escola, não é suficiente para fundamentar uma medida tão severa”, afirmam.
Ainda segundo a manifestação, durante o período em que estiveram à frente da escola, as gestoras solicitaram diversas melhorias à Secretaria de Educação.
“Joelma Ribeiro e Elizete Pinheiro encaminharam diversos ofícios à Seduc solicitando providências para reformas, especialmente nos banheiros, além de melhorias nas instalações hidráulicas, elétricas, pintura e outros espaços essenciais. Entendemos que problemas estruturais históricos não podem ser atribuídos exclusivamente à atual gestão”, diz outro trecho.
Os pais também informaram que iniciaram um abaixo-assinado que será encaminhado ao prefeito Andrei Gonçalves e à secretária de Educação, Maéve Melo.
“Acreditamos que o diálogo, a escuta da comunidade e o respeito ao processo democrático fortalecem a educação pública. Confiamos na sensibilidade do prefeito e da secretária para que reavaliem essa decisão e permitam que nossas gestoras retornem às suas funções”, afirmam.
Uma mãe de aluno da Escola Edualdina Damásio também relatou sua insatisfação.
“Hoje recebemos com muita tristeza a notícia da exoneração das gestoras Joelma Ribeiro e Elizete Pinheiro. Como mãe de aluno da Escola Edualdina Damásio, sinto que nossa comunidade foi desrespeitada. Nós lutamos para que elas chegassem à nossa escola e participamos de uma eleição democrática, na qual elas foram eleitas com mais de 80% dos votos”, declarou.
Ela também defendeu o trabalho realizado pelas gestoras.
“Depois que essas duas gestoras assumiram, nossa escola mudou para melhor. Houve organização, acolhimento, projetos, diálogo com as famílias e um ambiente muito mais seguro e respeitoso para nossas crianças. Não é justo colocar sobre as gestoras a responsabilidade por situações que fogem da competência delas. Esperamos que a Secretaria de Educação reveja essa decisão, ouça a comunidade escolar e valorize a vontade da maioria”, concluiu.
Em nota enviada ao Portal Preto no Branco, a Secretaria de Educação de Juazeiro informou que as decisões relacionadas às gestões da Escola Municipal Professora Edualdina Damásio e da EMEI Herbert Mouze Rodrigues “não possuem caráter arbitrário nem decorrem de perseguição política”.
A pasta afirmou ainda que as medidas adotadas foram fundamentadas em critérios técnicos e administrativos, em conformidade com a legislação vigente, e acrescentou que as apurações necessárias já foram realizadas, destacando que “a situação encontra-se devidamente resolvida, não havendo, portanto, pendências a serem esclarecidas”.
Redação PNB



