Familiares de Miguel Rezende da Silva, 69 anos, procuraram o Portal Preto no Branco para denunciar a demora no tratamento do paciente, que morreu no último domingo (5), após meses aguardando uma cirurgia no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ). Segundo a família, o idoso enfrentava um câncer na garganta desde o ano passado e faleceu antes de conseguir realizar o procedimento.
A neta de Miguel relatou a angústia enfrentada pela família durante todo o tratamento.
“Meu avô já tinha feito todos os exames e inclusive já tinha passado pela entrevista com o anestesista e eles ficaram enrolando a cirurgia de traqueostomia, que ainda seria seguida da biópsia. Também enrolaram para iniciar a quimioterapia. Ele tinha câncer na garganta desde o ano passado e era classificado como urgente.”
O familiar afirma que a espera por consultas e pareceres médicos prolongou ainda mais o tratamento.
“Demoraram para marcar a entrevista com o anestesista, depois veio o parecer do cardiologista e, quando conseguimos finalizar tudo isso, disseram apenas para esperar que entrariam em contato. A entrevista com o anestesista já tinha cerca de 30 dias. Desde o ano passado, a gente lutava para conseguir consulta e fazer exames.”
Ainda segundo a neta, Miguel procurou diversas vezes a emergência do Hospital Regional por causa das fortes dores causadas pela doença, mas acabava sendo medicado e liberado.
“Ele sempre dava entrada na emergência gritando de dor. Passavam medicação e mandavam ele para casa, mesmo ele dizendo que continuava sentindo dor.
O quadro se agravou no último fim de semana. Conforme o relato, no sábado (4), Miguel foi levado de ambulância ao hospital com dores intensas e dificuldade para respirar.
“No sábado, quando a situação piorou, ele foi para o Regional de ambulância, reclamando de dor e dificuldade para respirar por causa do câncer, que já estava bem avançado e estava tapando as vias respiratórias dele. Lá deram morfina, deixaram ele em observação por uns 30 minutos e disseram que ele podia ir para casa. Mesmo reclamando de muita dor e falta de ar, disseram que não podiam fazer mais nada porque a medicação mais forte já tinha sido aplicada. Ele saiu de lá dizendo que ia morrer.”
No dia seguinte, o idoso não resistiu e foi a óbito.
“No domingo (05) ele já não conseguia nem se mexer sozinho. Tudo doía. Ele acordava assustado porque a garganta fechava e ele não conseguia respirar. Quando chegamos ao hospital, tentaram entubar duas vezes, mas não tinha passagem por causa do câncer. Ele teve duas paradas cardiorrespiratórias e morreu. Se tivessem feito a cirurgia a tempo, ele não teria chegado a esse ponto”, lamentou.
Após a morte de Miguel, a família afirma ter recebido a confirmação da data da cirurgia. A filha do paciente disse que a informação chegou quando os familiares já se despedia dele no velório.
“Infelizmente meu pai faleceu. Faleceu esperando pelo tratamento que o Hospital Regional não deu atenção. Na segunda-feira (6), estávamos sepultando meu pai quando disseram que ele iria fazer a cirurgia no dia 10. Agora é tarde. Minha indignação é saber que ele poderia ter feito o tratamento, mas o hospital não deu essa chance para ele lutar pela vida”, desabafou.
O Portal Preto no Branco encaminhou a denúncia ao Hospital Regional de Juazeiro e aguarda um posicionamento da unidade.
Redação PNB



