O arcebispo de Maceió (AL), Dom Carlos Alberto Breis Pereira, OFM, conhecido como Dom Beto, publicou um decreto com novas orientações sobre a participação de fiéis leigos nas eleições de 2026. O religioso, que atuou na Diocese de Juazeiro como bispo coadjutor a partir de 2016 e como bispo diocesano entre 2017 e o final de 2023, determinou que leigos candidatos a cargos eletivos, dirigentes partidários ou cabos eleitorais deverão se afastar temporariamente das funções de liderança exercidas nas paróquias e demais organismos da Arquidiocese de Maceió.
De acordo com o documento, o afastamento deverá ocorrer pelo menos 90 dias antes da eleição e alcança funções como catequista, ministro extraordinário da Sagrada Comunhão, leitor, cantor litúrgico, acólito, coordenador de pastoral ou comunidade, integrante de conselho paroquial e qualquer outra atividade oficialmente reconhecida pela Arquidiocese.
As eleições de 2026 escolherão presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. O primeiro turno está marcado para o dia 4 de outubro, enquanto o segundo turno, caso necessário, será realizado em 25 de outubro.
No decreto, Dom Beto afirma que as orientações são fundamentadas na Doutrina Social da Igreja, no Código de Direito Canônico e na tradição magisterial da Igreja. Segundo ele, as medidas buscam preservar “a unidade do corpo eclesial, a comunhão fraterna entre os fiéis de diferentes convicções políticas e o testemunho profético da Igreja diante da sociedade alagoana”.
O documento também proíbe o uso de igrejas e demais espaços eclesiais para reuniões político-partidárias, atos de campanha, comícios ou qualquer evento de apoio ou oposição a candidatos, partidos ou coligações. Além disso, veta discursos políticos, pregações partidárias, apresentação de candidatos e pedidos de voto durante homilias, celebrações litúrgicas, grupos de oração, novenas, procissões e outros atos de culto.
Outra determinação é que membros do clero e agentes pastorais da Arquidiocese de Maceió não aceitem comendas, medalhas, títulos honoríficos, homenagens ou distinções concedidas por órgãos legislativos ou governamentais durante o período eleitoral, entre 16 de agosto e 26 de outubro. Conforme o arcebispo, a medida pretende evitar que essas homenagens sejam utilizadas com finalidade eleitoral ou interpretadas como contrapartida a apoio político.
Na conclusão do decreto, Dom Beto destaca que a política, quando exercida com integridade e voltada ao bem comum, representa uma forma de serviço e caridade. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de preservar a missão da Igreja.
“O que não nos é permitido – e nunca será – é que a Igreja, espaço de sinodalidade, seja reduzida a palanque de interesses partidários; que o altar, onde o próprio Cristo se oferece ao Pai, se converta em palco de campanha; ou que a fé do povo simples e fiel seja instrumentalizada por quem quer que seja”, conclui o arcebispo.
Redação PNB com informações da ACI digital



