A tramitação do processo que apura o assassinato da menina Beatriz Angélica Mota entrou em uma nova etapa na Justiça de Pernambuco. Após o encerramento de todos os recursos contra a decisão que levou o caso a júri popular, o juiz responsável pelo processo iniciou os procedimentos que antecedem a sessão de julgamento. Em despacho publicado na terça-feira (14), o magistrado determinou que o Ministério Público de Pernambuco e a defesa do acusado indiquem, em até dez dias, as testemunhas que pretendem ouvir durante o Tribunal do Júri. Cada parte poderá apresentar uma lista com até cinco nomes.
Além das testemunhas, acusação e defesa ainda poderão anexar novos documentos aos autos e solicitar diligências que considerem necessárias para esclarecer pontos do processo. Depois que esse prazo for encerrado, o processo voltará às mãos do juiz, que deverá elaborar o relatório final da ação penal e marcar a sessão do Tribunal do Júri, quando os jurados decidirão sobre a responsabilidade criminal do acusado.
O avanço ocorre após o Tribunal de Justiça de Pernambuco manter a decisão de pronúncia, entendimento de que existem elementos suficientes para que o caso seja analisado por um júri popular. Com isso, o processo supera mais uma fase processual e se aproxima de um desfecho esperado pela família da vítima.
Em entrevista ao Portal Preto no Branco, a mãe de Beatriz, Lucinha Mota, afirmou que a família já aguardava a publicação do despacho após uma reunião realizada na última semana com a juíza responsável pelo Tribunal do Júri de Petrolina.
“Eu e Sandro estivemos com a juíza responsável pelo Tribunal do Júri de Petrolina na última semana. Já sabíamos que, a qualquer momento, esse despacho seria realizado, porque venho acompanhando de perto cada movimentação do processo. Mesmo assim, essa decisão mexe muito com o nosso emocional. A sensação que estamos vivendo é de extrema importância, pois o júri representa a garantia de que o assassino receberá a pena pelos seus atos e de que tudo aquilo pelo que lutamos será concretizado, assegurando à nossa princesa o direito à justiça.
Sei que o júri não amenizará a dor que carrego no coração, mas acredito que, após essa etapa, eu e minha família poderemos descansar um pouco e buscar a paz necessária para seguir em frente”, disse Lucinha.
Apesar de considerar o despacho um avanço importante, Lucinha voltou a cobrar mais celeridade da Justiça na condução do processo.
“Ainda assim, o que mais me preocupa é a falta de prioridade que o Judiciário de Petrolina tem dado aos crimes contra a vida e, em especial, ao caso de Beatriz. Acredito que este seja um dos processos mais antigos nessa situação e, mesmo assim, não percebo o empenho necessário para que ele seja pautado com a urgência que merece. Essa foi a sensação que tive após nossa última conversa. Continuo afirmando que não permitirei que qualquer violação de direitos seja cometida contra minha filha, nem mesmo por instituições que deveriam garantir sua proteção e a efetivação da justiça. Peço a Deus força, coragem e sabedoria para conduzir mais esta etapa da nossa caminhada por justiça”, disse ela.
Caso Beatriz
A criança tinha apenas sete anos quando foi brutalmente morta com dezenas de facadas durante uma festa de formatura do Colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina, na noite do dia 10 de dezembro de 2015. O crime se tornou um dos casos mais marcantes e dolorosos do país.
Somente em janeiro de 2022, sete anos após o homicídio, a Polícia Civil identificou o suspeito Marcelo da Silva como o autor do crime . Em dezembro de 2023, a Justiça determinou que ele fosse julgado por júri popular, mas até o momento, o julgamento segue sem data marcada.
Em um relato enviado ao Portal Preto no Branco no dia 10 de dezembro de 2025,, data em que o crime completou 10 anos, Lucinha Mota, mãe de Beatriz, mais uma vez expressou a dor que carrega e a indignação pela demora no andamento do processo.
“Hoje, 10 de dezembro, é um dia de dor, de saudade. Quando dezembro chega, o peito já aperta. É saudade, é amor, é vontade de sentir o cheiro, de tocar. E, ao mesmo tempo, um sentimento de angústia, de desprezo pelas nossas instituições por ter permitido que a gente passasse sete anos lutando para identificar e descobrir a motivação desse crime tão bárbaro e cruel. São mais três anos esperando a boa vontade do Judiciário de movimentar os processos, de dar os encaminhamentos necessários para que o julgamento seja marcado e esse monstro covarde seja punido.”
Redação PNB


