A família de uma paciente do Hospital Regional de Juazeiro, no Norte da Bahia, entrou em contato com a redação do Portal Preto no Branco para relatar a demora na disponibilização de uma vaga para hemodiálise na Clínica de Nefrologia. Segundo o relato, a paciente Margarida Barros está internada há mais de um mês e aguarda encaminhamento para a Clinefro para que possa receber alta hospitalar.
“Minha mãe deu entrada no Hospital Regional no dia 6 de junho. Ela ficou na UTI, depois foi para a Sala Vermelha e, hoje, está na Sala Verde por falta de um quarto. Ela está em uma maca e faz hemodiálise no próprio hospital porque, segundo a equipe, ainda não surgiu uma vaga na Clinefro. Enquanto essa vaga não aparece, ela não pode receber alta”, relatou a familiar.
Ainda conforme a filha, a família foi informada inicialmente de que Margarida ocupava a 11ª posição na fila por uma vaga na clínica, mas essa situação nunca mudou.
“Disseram que ela era a 11ª da lista, mas nunca saiu dessa posição. Hoje fomos informados que ela nem está mais na lista porque está na Sala Verde. Só que o médico que acompanha minha mãe desde o dia 6 de junho disse que uma coisa não tem nada a ver com a outra, ela só está na sala verde porque não tem outro lugar para ficar. Na terça-feira, dormi com ela e fiquei espantado com a quantidade de pacientes. Os corredores estavam tão cheios que mal dava para passar uma cadeira de rodas. Isso deixou a gente ainda mais angustiado”, afirmou.
A familiar também criticou a falta de informações sobre o andamento do caso.
“Estamos angustiados. Minha mãe está ansiosa e a assistente social não passa nenhuma informação”, disse.
Encaminhamos o caso para a gestão do HRJ. Em nota, a unidade esclareceu que “os pacientes com quadro de adoecimento renal admitidos na unidade recebem atendimento da equipe multiprofissional. Após a conclusão do tratamento hospitalar, quando não há mais possibilidade de evolução clínica que justifique a permanência na internação, alguns pacientes necessitam apenas da continuidade do tratamento por meio da hemodiálise.
Nesses casos, os pacientes são inseridos nos sistemas de regulação para que sejam acolhidos por instituições que atendam seus municípios de origem e disponham do serviço de hemodiálise, garantindo a continuidade adequada do tratamento.
Enquanto a transferência não é efetivada, o Hospital Regional de Juazeiro não pode conceder alta ao paciente, pois é necessário assegurar a realização regular do procedimento dialítico na própria unidade. A liberação sem a definição de outro local apto a realizar a hemodiálise poderia resultar no agravamento do quadro renal e comprometer a assistência necessária ao paciente.”
Após a nota encaminhada pela gestão do Hospital Regional de Juazeiro, a filha de Margarida Barros contestou a versão apresentada pela unidade. Segundo ela, a reclamação da família é justamente a ausência da paciente no sistema de regulação para transferência à clínica onde realizará a hemodiálise.
“O nosso problema é justamente essa regulação. Eles nem inseriram ela nesse sistema para que possa fazer a hemodiálise na Clinefro. A clínica consultou o sistema e o nome dela não consta lá. É o hospital quem solicita a vaga para os pacientes e, depois disso, a clínica disponibiliza as vagas existentes. Além disso, o responsável por liberar o paciente é o hospital, mas o nome dela nem sequer está na lista”, afirmou a familiar.
Redação PNB



