A programação musical da Juá Literária reuniu, na noite de ontem, diferentes expressões da cultura nordestina e da música contemporânea. No palco, apresentaram-se João Sereno, Samba de Véi do Salitre, Alexandre Leão e Flaira Ferro, em uma noite marcada pela diversidade de ritmos, pela força da cultura popular e pela presença de artistas ligados ao Vale do São Francisco.
Cada atração levou ao público uma identidade própria. O Samba de Véi do Salitre apresentou a força da tradição e da celebração comunitária; Alexandre Leão reafirmou sua ligação com a música nordestina; e Flaira Ferro acrescentou ao encontro sua presença performática e sua linguagem autoral.
João Sereno, por sua vez, apresentou ao público a potência do SomGon, ritmo autoral criado por ele a partir de referências culturais de Juazeiro, Petrolina e de todo o território do São Francisco. Dançante, percussivo e marcado pela identidade regional, o SomGon traduz em música a vitalidade das manifestações populares e a busca do artista por uma sonoridade própria.
Mesmo com o tempo reduzido — cerca de meia hora de apresentação —, João Sereno conseguiu mostrar a força e as possibilidades de seu trabalho. A performance foi intensa, envolvente e conectada com o público, que acompanhou o show com entusiasmo e respondeu ao artista com aplausos, dança e muita participação.
Ao final, os pedidos de bis confirmaram a sintonia estabelecida entre João Sereno e a plateia.
Dado o tempo reduzido de sua apresentação, o artista não pôde atender ao pedido, para não comprometer a produção e o cronograma do evento — mas a reação espontânea do público demonstrou que, embora breve, sua apresentação deixou uma impressão especialmente forte na noite da Juá Literária.
Em meio a uma programação que celebrou a literatura, a música, a poesia e as manifestações da cultura popular, João Sereno fez do SomGon uma espécie de tradução sonora do próprio Vale do São Francisco: ritmada, alegre, mestiça e profundamente ligada à memória e à criatividade de seu povo.
Foi um belo e vigoroso espetáculo, que revelou o potencial de um ritmo genuinamente regional e mostrou que a cultura produzida às margens do Velho Chico tem força para conquistar o público e dialogar com o presente.
Ascom



