O município de Juazeiro, no Norte da Bahia, voltou a aparecer entre as 10 cidades mais violentas do Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontam que a cidade ocupa a 10ª colocação no ranking nacional.
Segundo o levantamento, Juazeiro registrou, em 2025, uma taxa de 55,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. Apesar de permanecer entre as dez cidades com os maiores índices do país, o município apresentou redução em relação ao levantamento anterior. Em 2024, Juazeiro aparecia na 3ª posição do ranking, com uma taxa de 76,2 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
A divulgação dos números têm provocado um sentimento de estranhamento e indignação entre os moradores que contestam o título que Juazeiro vem ganhando após a divulgação dos rankings. Para quem vive na cidade, a imagem retratada pelos números não representa na realidade do dia a dia.
“Sempre que Juazeiro aparece entre as 10 cidades mais violentas do Brasil eu estranho muito, pois nós ainda preservamos hábitos que desapareceram em muitos centros urbanos considerados ‘menos violentos’ pelo anuário. Aqui, por exemplo, ainda é comum vermos pessoas sentadas nas portas ao cair da noite, conversas nas calçadas e caminhadas em horários avançados sem o medo constante que se tornou rotina em outras regiões do país. Eu ando à noite, minha família também. Se aqui fosse tudo isso que dizem, a gente não vivia. Claro que existe violência, como em qualquer lugar, mas não é esse cenário alarmante”, comenta um morador do bairro Santo Antônio, que preferiu não se identificar.
Outra moradora também questiona até que ponto os critérios utilizados pelo Anuário conseguem retratar a realidade vivida pela população.
“Todo ano é a mesma coisa. Sai esse relatório e colocam Juazeiro como uma das mais violentas. A gente fica até com vergonha de dizer de onde é, porque quem vê de fora imagina um cenário de guerra. Mas quem vive aqui sabe que não é assim”, afirma.
Um terceiro morador chama atenção para o fato de grandes cidades brasileiras, que registram um número absoluto maior de homicídios e outros crimes violentos, nem sempre aparecerem entre as primeiras posições do ranking.
“É óbvio que no Brasil existem muitas outras cidades bem mais violentas que Juazeiro, como Rio de Janeiro, Salvador e até mesmo a cidade vizinha, Petrolina. Mas, apesar desses municípios apresentarem números absolutos de violência, especialmente homicídios, superiores aos de Juazeiro em diversos levantamentos, eles não figuram com a mesma frequência ou destaque nas listas do Anuário”, disse.
Uma comerciante ouvida pelo Portal Preto no Branco avalia que a forma como os dados são apresentados acaba gerando impactos negativos para a imagem da cidade.
“A insistência em classificar Juazeiro como uma das cidades mais violentas do Brasil, sem o devido aprofundamento ou contextualização, acaba gerando um efeito colateral preocupante: estigmatiza o município, afeta sua imagem, impacta investimentos e reforça uma narrativa que não dialoga com o cotidiano real”, destaca.
Vale destacar que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública utiliza uma metodologia técnica baseada em dados oficiais de mortes violentas intencionais. O ranking é elaborado a partir da taxa de ocorrências por 100 mil habitantes, e não pelo número absoluto de crimes. Por isso, cidades mais populosas, como Rio de Janeiro, Salvador ou Petrolina, mesmo registrando uma quantidade maior de homicídios em números totais, podem apresentar taxas proporcionais inferiores e, consequentemente, ficar fora das primeiras posições da lista. O indicador busca comparar municípios de diferentes portes de forma proporcional, considerando o tamanho da população de cada cidade.
Redução da violência
Apesar da posição de Juazeiro no ranking nacional, dados mais recentes apresentados pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) apontam uma tendência de redução da criminalidade no município. Durante reunião do Comitê Interinstitucional em Segurança Pública (CISP) Regional de Juazeiro, realizada neste mês, foram divulgados indicadores que mostram queda em diferentes modalidades de crimes entre 2023 e 2025.
De acordo com a SSP-BA, os casos de roubo a residências diminuíram 61% no período. Os roubos de veículos apresentaram redução de 60%, enquanto os roubos a transeuntes caíram 65%. Os dados também indicam melhora nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI). Nos últimos 12 meses, a Bahia registrou redução de 20,2% nesses crimes, mas em Juazeiro a queda foi ainda mais expressiva, alcançando 41,8%, percentual superior à média estadual.
Redação PNB



