Depois de dias de mobilização e sem qualquer presença de qualquer representante da Prefeitura de Petrolina-PE, as famílias da Ocupação Nova Vida III, no bairro João de Deus, decidiram formalizar suas reivindicações em um abaixo-assinado que cobra do poder público medidas concretas para enfrentar um déficit habitacional que há anos permanece sem resposta do poder público. O documento reúne propostas que vão da construção de moradias populares à criação de um programa permanente de habitação para famílias de baixa renda e será encaminhado à Prefeitura de Petrolina, ao Governo de Pernambuco, ao Ministério Público de Pernambuco e a outros órgãos públicos.
O documento exige a abertura imediata de uma mesa de diálogo com o prefeito de Petrolina e o Governo do Estado. Também reivindica a criação de um programa municipal de habitação, a construção de mil moradias populares até julho de 2027, a concessão de mil auxílios-moradia por um ano e a fiscalização dos empreendimentos habitacionais para identificar possíveis irregularidades e garantir novas seleções para famílias em situação de vulnerabilidade.
O abaixo-assinado ainda reivindica a reativação do Conselho Municipal das Cidades (Concidades), órgão responsável por discutir, fiscalizar e acompanhar a política habitacional do município. Ao Governo de Pernambuco, as famílias reivindicam a construção de mil moradias populares e a concessão de mil auxílios-moradia pelo período mínimo de um ano.
As famílias também solicitam que o Ministério Público de Pernambuco e as comissões de Obras e de Direitos Humanos da Câmara Municipal atuem como mediadores na construção de um diálogo com o poder público. A coleta de assinaturas segue aberta entre as famílias da ocupação. A expectativa é ampliar o número de apoiadores antes da entrega oficial do documento às autoridades.
Desde o início da mobilização, o movimento tem contado com o acompanhamento do mandato do vereador Professor Gilmar Santos (PT), que chamou a atenção do grupo sobre a ilegalidade da invasão, mas apoia a continuidade da luta por meios legítimos. Diante da decisão da Justiça Federal, que determinou a desocupação da área, o mandato orientou as famílias a cumprirem a determinação judicial. Para o parlamentar, a ocupação evidencia o fracasso da política habitacional no município e reforça a necessidade de investimentos permanentes em moradia popular.
“Aqui tem mães atípicas, mães que já foram despejadas das suas casas, porque não têm mais condição de pagar o aluguel. Eu estou com energia cortada também, porque esse mêsdeu pra pagar o aluguel, mas não deu pra pagar a energia. Então tem muita gente aqui que está precisando”, afirmou Amanda, uma das mães ocupantes.
Para ela, um dos principais problemas é a ausência de diálogo com a população: “A gente só está pedindo aqui a presença da governadora Raquel Lyra e do prefeito Simão Durando, assim como ele veio na nossa porta pedir voto, ele tem que vir ouvir a população dele. Porque a gente votou, Simão, em você. Não é justo você fazer isso com a gente. Não é com violência que você vai resolver”, reclamou Amanda.
Enquanto a coleta de assinaturas continua, as famílias afirmam que a mobilização seguirá até que o poder público apresente uma resposta concreta às reivindicações. Para os moradores, a luta não se resume à ocupação do Nova Vida III, mas à cobrança por uma política habitacional capaz de enfrentar um déficit histórico que, há décadas, nega o direito à moradia a centenas de famílias em Petrolina.
Ascom/Mandato Coletivo



