O pai de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3 procurou o Portal Preto no Branco para relatar as dificuldades enfrentadas no recebimento de medicamentos e insumos que, segundo ele, são garantidos por decisão judicial e deveriam ser entregues mensalmente pela Secretaria Municipal de Saúde de Juazeiro, na região Norte da Bahia. Marcos Antônio Silva de Sena afirma que o filho está há meses sem receber regularmente os medicamentos, fraldas e outros itens necessários.
“Os medicamentos só recebemos a cada três, quatro meses, sendo que ele deveria receber mensalmente. São dois frascos de 30 ml, é para serem dois frascos por mês. Só que a gente recebe uma vez a cada três, quatro meses. Às vezes, passa cinco meses para receber e a gente fica se matando para comprar. Teve uma vez que, em vez de dar dois frascos de 30 ml, compraram dois frascos de 15 ml. Eu não percebi na hora. Só percebi depois, pelo formato. A medicação custa R$ 500 um frasco. Eu não tenho condição de ficar comprando. Já as fraldas já vai fazer quase um ano que não recebo.”, relata.
O pai afirma que também enfrenta dificuldades quando procura o Centro de Distribuição, localizado no bairro João XXIII, para saber quando os produtos estarão disponíveis.
“Toda vez que eu vou lá na farmácia, eles me enganam. Eu peço para chamar a supervisora. Quando ela vê, finge que está ligando para alguém. É só para eu sair dali. Fala: ‘Ah, chegou? Pronto, você traz que hora? Ele vai trazer à tarde. Aí eu passo no outro dia para pegar e elas falam: ‘Chegou nada’, relata.
Outra denúncia feita por Marcos é de que medicamentos destinados a determinados pacientes estariam sendo entregues a outras pessoas para tentar suprir a falta de estoque.
“Eles têm mania de pegar medicação de um paciente e dar para outro, para ficar tapando buraco. Aí prejudica todo mundo, porque quem toma aquele remédio específico e não pode ficar sem ele fica sem receber, porque deram para outro. É um descaso danado. Meu filho está precisando muito da medicação, dando crise o tempo inteiro, sem poder estar levando para a escola por falta de medicação. Está causando todo um transtorno para a vida do menino”, afirma.
Marcos afirma ainda que a família é orientada a apresentar novas receitas mesmo quando ainda não recebeu os medicamentos referentes às prescrições anteriores.
“As receitas vencem e ficam pedindo novas receitas sem nem ter entregado a medicação da receita anterior. É um descaso total”, reclama.
Segundo o pai, ao questionar a demora no fornecimento, uma funcionária do Centro de Distribuição teria orientado que ele procurasse a Justiça ou a própria Secretaria de Saúde.
“Uma funcionária, que é uma espécie de gerente, fala assim: ‘Está inconformado? Vá à Justiça e peça o bloqueio. Ou está inconformado? Vá à Secretaria de Saúde. Fui à Secretaria de Saúde e a Secretaria falou que eu tenho que ir ao ponto de recebimento. Agora já está entre o fornecedor e eles. Eles têm o poder de apertar o fornecedor para levar as coisas, mas não fazem isso”, conta.
O pai diz que não quer tratamento diferenciado, mas apenas que o direito do filho seja respeitado.
“Eu já percebi que agora, toda vez que eu chego, aparece um homem, tipo um segurança, que fica sentado me olhando, como se eu fosse fazer algo. Mas eu nunca agi de maneira grosseira e nunca fiz nenhum tipo de ameaça a ninguém. Eu sempre vou com a maior paciência, falando direito, na educação, e tento mostrar os meus direitos e os direitos do meu filho. Mas paciência tem limite. Eu já percebi que eles só fazem alguma coisa se forem expostos”, concluiu.
Encaminhamos os relatos para a Secretaria de Saúde de Juazeiro em busca de esclarecimentos. Em resposta, o órgão informou que “o usuário citado tem sido atendido e orientado pela equipe sempre que procura o serviço, não havendo registro de qualquer situação de desrespeito ou mau atendimento por parte dos profissionais. Sobre as fraldas, o usuário solicita especificamente o modelo tipo shortinho da marca Plenitude. A Sesau reitera que, no momento, essa marca não está disponível, pois não houve empresa ganhadora no processo licitatório e que foi oferecida a opção existente no serviço, não aceita pelo usuário. Novo processo está em andamento, porém ainda sem previsão para o reestabelecimento do fornecimento. Em relação ao Aripiprazol em gotas, a Secretaria informa que o medicamento estava em falta geral no mercado e vinha apresentando dificuldade de disponibilidade pelo fornecedor contratado. Entretanto, estamos acompanhando junto ao fornecedor, com previsão de recebimento nesta terça-feira (11). A Sesau reforça seu compromisso com o atendimento respeitoso aos usuários e com a garantia do acesso aos medicamentos e insumos disponibilizados pela rede municipal”.
Redação PNB



